Deputado reage a vídeo sobre projeto contra misoginia, acusa governo de “controle de discurso” e cita dados de violência no período petista
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) respondeu, por meio de um vídeo nas redes sociais neste domingo (29), a críticas feitas pela primeira-dama do Brasil, Janja Lula da Silva, em meio à aprovação do projeto que trata da misoginia no Senado.
A troca de declarações começou após Janja divulgar um vídeo em defesa do projeto de lei que criminaliza a misoginia. Na gravação, ela criticou o deputado por, segundo ela, disseminar informações falsas ao atacar a proposta.
“Eu quero dizer que enquanto você, deputado, se preocupava em produzir um vídeo cheio de mentiras e protegendo aqueles homens que vão pra internet disseminar discurso de ódio, uma mulher era assassinada” disse a primeira-dama.
Em resposta, Nikolas rebateu as acusações e criticou o conteúdo do projeto. “Não adianta vir com essa fala mansa, com um discurso, porque as pessoas sabem exatamente quem você é”, afirmou Nikolas.
O deputado argumentou que a proposta não está relacionada diretamente à violência contra a mulher.
“As pessoas compreenderam que esse projeto não tem nada a ver com violência doméstica, agressão contra a mulher ou até mesmo morte contra as mulheres. Que esse projeto é literalmente uma forma de controlar o que pode ou não pode ser dito”, disse Nikolas.
Nikolas Ferreira faz críticas ao governo de Lula
Durante o pronunciamento, o parlamentar também associou o aumento de mortes de mulheres a gestões anteriores do Partido dos Trabalhadores (PT). Segundo ele, os índices cresceram ao longo da última década.
“De 2003 a 2013, o governo do PT e o seu marido governou o Brasil. Não fui eu que fui presidente da república, foi o seu. E aumentou a morte de mulheres em quase 10%. O que você tentou emplacar de narrativa, colocando como se eu fosse responsável pela morte de mulheres”, alegou o deputado.
Nikolas ainda acusou defensores do projeto de utilizarem o conceito de misoginia para restringir opiniões contrárias.
“Como se eu explicar uma lei da misoginia que na verdade não tem nada a ver com agressão contra mulher, mas que na verdade está querendo fazer um patrulhamento do que pode ou não ser dito. É equiparado à consequência de matar mulheres e se elas morrem é por causa de discurso de ódio meu e de outros da direita? Toma vergonha na sua cara, Janja”, acrescentou Ferreira.
“Tá todo mundo percebendo que o governo do PT nada mais faz do que piorar a situação das mulheres ao fechar os olhos para os reais problemas que existem de não combater os verdadeiros responsáveis e ficar fazendo uma narrativa para poder ganhar eleitorado”, rebateu ainda Nikolas.
Projeto em análise
A proposta citada no embate foi aprovada pelo Senado e segue para análise na Câmara dos Deputados.
O texto inclui a misoginia como crime de preconceito ou discriminação, caracterizando-a como conduta de ódio ou aversão às mulheres.
O projeto prevê penas de dois a cinco anos de reclusão, além de multa, e equipara esse tipo de crime ao racismo.