Márcio Fernandes recebe apoio formal, mas interlocutores apontam Vivi Tobias como o nome mais identificado com a militância conservadora.
A possibilidade de o vereador Rafael Tavares (PL) ficar fora das eleições de 2026 já começou a movimentar os bastidores da direita sul-mato-grossense. Com a condenação que pode resultar em sua inelegibilidade, lideranças do Partido Liberal e de outros grupos conservadores passaram a disputar um dos eleitorados mais consolidados da direita em Mato Grosso do Sul.
Ao longo de apenas duas eleições, Rafael Tavares mostrou força nas urnas. Em 2022, surpreendeu ao conquistar 18.224 votos para deputado estadual. Dois anos depois, mesmo após perder o mandato em razão da recontagem dos quocientes eleitorais, voltou às urnas e foi eleito vereador de Campo Grande com 8.128 votos, tornando-se o bolsonarista mais votado da Capital.
Somadas, as duas eleições representam mais de 26 mil votos conquistados em um intervalo de apenas quatro anos.
Márcio Fernandes recebeu o apoio de Rafael
Um dos primeiros movimentos ocorreu dentro do próprio PL.
Recentemente, Rafael Tavares publicou um vídeo ao lado do deputado estadual Márcio Fernandes, oficializando seu apoio ao parlamentar para as eleições de 2026.
Márcio, atualmente filiado ao Partido Liberal, iniciou sua trajetória política no MDB e construiu boa parte de sua carreira na base de apoio do ex-governador André Puccinelli. Agora, busca ampliar seu espaço dentro do eleitorado conservador.
Nos bastidores, o gesto de Rafael foi interpretado como um importante reforço político para Márcio Fernandes, sobretudo diante da impossibilidade de o vereador disputar uma vaga para deputado federal.
Outros nomes também entram no radar
Embora Márcio Fernandes tenha recebido o apoio público de Rafael Tavares, lideranças e interlocutores da direita ouvidos pelo O Contribuinte avaliam que a disputa pelo eleitorado do vereador não se restringe ao deputado estadual. Os vereadores André Salineiro e Ana Portela, ambos do PL e colegas de bancada de Rafael na Câmara Municipal de Campo Grande, também aparecem como nomes capazes de conquistar parte desse eleitorado, em razão da identificação com pautas conservadoras e da atuação conjunta no Legislativo.
Ainda assim, a avaliação predominante entre pessoas ligadas ao grupo político de Rafael é de que a transferência desses votos dificilmente ocorrerá de forma concentrada em apenas um candidato. O entendimento é que o eleitor conservador tende a escolher candidatos com os quais possua maior identificação política e ideológica.
Mas aliados veem Vivi Tobias como o perfil mais parecido
Apesar do apoio declarado a Márcio Fernandes, interlocutores ligados ao grupo político de Rafael Tavares afirmam ao O Contribuinte, sob condição de anonimato, que a transferência do eleitorado dificilmente será integral.
Segundo essas avaliações, existe uma diferença entre receber o apoio político do vereador e conquistar espontaneamente seus eleitores.
Na análise dessas fontes, quem reúne hoje o perfil mais semelhante ao de Rafael é a ativista conservadora Vivi Tobias.
Vivi iniciou sua caminhada política ao lado de Rafael Tavares. Em 2022, ambos integravam o então PRTB e fizeram uma dobradinha eleitoral. Na época, Rafael disputou uma vaga na Assembleia Legislativa, enquanto Vivi concorreu pela primeira vez, conquistando 5.239 votos.
Antes mesmo das eleições, Vivi também integrou os movimentos Endireita MS e MS Conservador, organizações lideradas por Rafael e que hoje são consideradas entre os principais grupos organizados da direita sul-mato-grossense.
Crescimento mesmo disputando votos com Rafael
Nas eleições municipais de 2024, Vivi Tobias voltou às urnas para disputar uma cadeira na Câmara Municipal de Campo Grande.
Mesmo concorrendo dentro do mesmo campo ideológico e disputando parte do eleitorado de Rafael Tavares, ela obteve 1.711 votos, alcançando a segunda suplência do Partido Liberal.
Aliados destacam que sua campanha foi realizada com cerca de R$ 40 mil de recursos do fundo eleitoral, valor inferior ao destinado a outras candidaturas do partido, algumas delas contempladas com duas, três e até seis vezes mais recursos.
Após as eleições, Vivi foi convidada para integrar a equipe da então prefeita Adriane Lopes e, posteriormente, filiou-se ao PL, onde passou a construir sua pré-candidatura a deputada estadual.
Identificação com o eleitor conservador
Na avaliação de pessoas próximas ao grupo de Rafael Tavares, Vivi Tobias possui características políticas que dialogam diretamente com o eleitorado construído pelo vereador ao longo dos últimos anos.
Entre elas, citam a defesa de pautas conservadoras, o enfrentamento público às pautas da esquerda, a atuação nas redes sociais e a participação em debates envolvendo temas ligados ao bolsonarismo.
Esses interlocutores avaliam que esse conjunto de fatores faz com que Vivi tenha maior identificação com a base eleitoral formada por Rafael do que outros nomes que hoje disputam espaço dentro da direita.
Disputa pelo eleitorado deve marcar 2026
A expectativa nos bastidores é de que o eleitorado de Rafael Tavares não seja transferido integralmente para um único candidato.
O apoio formal a Márcio Fernandes fortalece sua candidatura dentro do PL, mas integrantes do grupo político do vereador acreditam que parte significativa desse eleitorado poderá optar por candidatos que apresentem um perfil considerado mais próximo ao de Rafael.
Nesse cenário, Vivi Tobias aparece como um dos nomes mais observados pela direita sul-mato-grossense.
Caso Rafael Tavares permaneça impedido de disputar as eleições de 2026, a disputa pelos mais de 26 mil votos conquistados por ele nas duas últimas eleições tende a se transformar em uma das principais movimentações de bastidores dentro do Partido Liberal em Mato Grosso do Sul.