O governador Eduardo Riedel oficializou nesta segunda-feira (27), por meio de publicação no Diário Oficial do Estado, a saída de Eduardo Rocha do comando da Casa Civil e a nomeação de Walter Carneiro Júnior para o cargo. A mudança ocorre em um momento estratégico para o governo estadual, às vésperas de definições políticas que vão moldar o cenário eleitoral de 2026.
Com perfil técnico e trânsito político consolidado, Walter Carneiro assume o posto com a tarefa de intensificar o diálogo com prefeituras e a Assembleia Legislativa, além de coordenar a reorganização da base aliada, que vive um período de indefinição partidária.
Grande parte dos deputados ligados ao grupo governista deverá mudar de sigla nas próximas eleições, o que torna o processo de articulação política ainda mais complexo. As negociações envolvem cálculos eleitorais, disputas internas e a tentativa de formar chapas equilibradas que garantam espaço a todos.
Entre os parlamentares que já têm destino praticamente certo estão Mara Caseiro (PSDB), Zé Teixeira (PSDB) e Jamilson Name (PSDB), que devem migrar para o PL. Outros ainda não definiram o futuro, como o vice-líder do governo, Pedrossian Neto (PSD), que deve trocar de legenda, já que o PSD não integra o bloco governista formado por PL, PP e PSDB.
Outro ponto sensível será a manutenção do Republicanos e do MDB na base. O Republicanos, que recentemente recebeu o ex-deputado Capitão Contar, pré-candidato ao Senado, segue oficialmente aliado de Riedel, embora também tenha sido alvo de sondagens por parte de figuras da oposição, como o deputado federal Marcos Pollon.
O MDB, por sua vez, enfrenta dilemas internos. O ex-governador André Puccinelli busca mais espaço no governo e mantém diálogo com Reinaldo Azambuja, enquanto a ministra Simone Tebet tenta garantir a permanência da legenda alinhada ao governo federal e consolidar seu nome para o Senado. A pressão da direção nacional, que tende a manter o MDB próximo ao presidente Lula, pode alterar os rumos da legenda em Mato Grosso do Sul.
O mesmo impasse atinge o PSB, que vive dilema semelhante. Apesar de o deputado estadual Paulo Duarte integrar a base governista, o PSB nacional tem buscado fortalecer diretórios mais alinhados à esquerda e às bandeiras históricas do partido. Além disso, o PSB deve estar no palanque de Lula em 2026, o que contrasta com o cenário local, onde Riedel e Reinaldo Azambuja vestiram de vez a fantasia de bolsonaristas, assumindo uma posição clara de centro-direita.
Essa diferença de posicionamento ideológico entre o governo estadual e partidos que compõem a base pode complicar as articulações políticas de 2026, especialmente na tentativa de construir uma aliança ampla e coesa.
Com esse tabuleiro em reconfiguração, Walter Carneiro assume a Casa Civil como o principal articulador político de Riedel, encarregado de pacificar as relações dentro da base, reduzir o número de partidos na coligação e costurar uma unidade capaz de sustentar o projeto do grupo nas próximas eleições.
Definição da chapa majoritária será novo desafio
Além de reorganizar a base, Walter Carneiro também participará das negociações que definirão o segundo nome da chapa majoritária do grupo governista para 2026. Embora a decisão final deva passar pelo governador Eduardo Riedel e pela senadora Tereza Cristina, o novo chefe da Casa Civil será peça-chave nas conversas e articulações políticas.
Atualmente, disputam a vaga os nomes de Nelsinho Trad (PSD), Gerson Claro (PP) e Gianni Nogueira (PL). Correndo por fora, o ex-deputado Capitão Contar (PRTB) também não está descartado. A escolha do nome, contudo, deve levar em conta o impacto sobre os apoios partidários e o equilíbrio da base.
A eventual escolha de Nelsinho Trad, por exemplo, poderia abrir caminho para trazer o PSD de volta à base governista, alterando significativamente o mapa das alianças para 2026. A definição desse segundo nome será, portanto, um dos testes mais complexos da articulação política que Walter Carneiro passa a comandar.