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O espaço das mulheres no esporte não pode ser ocupado por homens biológicos

A votação na Câmara de Campo Grande, que derrubou o veto da prefeita e manteve o projeto que proíbe atletas trans de competirem em categorias femininas, não é uma derrota para ninguém, é uma vitória para as mulheres. Uma vitória do bom senso, da lógica e do respeito à biologia.

Nos últimos anos, o mundo assistiu a um fenômeno preocupante: homens biológicos conquistando medalhas e títulos em competições femininas. São inúmeros os casos em diferentes modalidades. No Brasil, vimos o episódio da jogadora trans Tiffany, destaque da Superliga de Vôlei e considerada uma das melhores jogadoras do país. Independentemente dos procedimentos que tenha adotado, Tiffany nasceu homem e isso, por si só, representa uma vantagem física inegável.

Força, massa muscular, densidade óssea, velocidade e resistência são fatores biológicos que não desaparecem por decreto ou por cirurgia. E neste fim de semana, vimos novamente como essa diferença se traduz em quadra.

O problema é que qualquer tentativa de levantar esse debate com base em fatos e ciência é imediatamente atacada pela militância extremista de esquerda, que tenta impor, goela abaixo, uma narrativa única. Uma narrativa que distorce a discussão ao transformar um debate esportivo e biológico em uma disputa ideológica, marcada por chantagens emocionais.

De forma desonesta, tentam associar quem defende o espaço das mulheres à transfobia, à intolerância, e até chegam a falar em “mortes” e “vulnerabilidade social” para silenciar quem pensa diferente. É uma tática conhecida: desviar o foco do tema central — a justiça e a segurança das competições femininas, para a emoção, a militância e o cancelamento.

Ninguém em sã consciência é contra as pessoas trans. E ninguém que defende o direito das mulheres à competição justa é a favor de qualquer tipo de discriminação. Reconhecer que a luta das pessoas trans é legítima não significa concordar com a ocupação de espaços que pertencem às mulheres biológicas.

O futebol feminino, que já sofre com falta de investimento, preconceito e invisibilidade, não pode ser novamente penalizado em nome de uma pauta ideológica. As mulheres estão construindo seu espaço com muito esforço, talento e superação. Não é justo que, em nome de um discurso progressista, todo esse avanço seja comprometido.

Mais grave ainda foi a tentativa de interferência da Defensoria Pública e dos Ministérios Públicos, estadual e federal, antes da votação. A nota técnica encaminhada aos vereadores foi nitidamente enviesada e ultrapassou o limite da atuação institucional. É inaceitável que servidores públicos, pagos para defender o interesse da sociedade, usem seus cargos para tomar partido em um debate que envolve também os direitos das mulheres.

O que a Câmara de Campo Grande fez foi devolver às mulheres um pouco do respeito que lhes é devido. O placar de 17 a 8 mostra que a maioria dos vereadores entendeu que não se trata de preconceito, mas de proteção. De reconhecer a diferença entre os sexos como um dado da natureza, não como um conceito flexível a depender da vontade política do dia. O esporte feminino precisa continuar sendo um espaço das mulheres e apenas delas.