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“O PP de MS não está em cima do muro”: Riedel pede Tereza na vice de Flávio

Candidato à reeleição criticou a neutralidade nacional do próprio partido e prometeu lutar pela indicação da senadora até o encerramento do prazo eleitoral

Confirmado como candidato à reeleição ao Governo de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel usou a convenção deste sábado, 1º de agosto, para contrariar publicamente a decisão nacional do Progressistas e defender a senadora Tereza Cristina como candidata a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro.

Diante de cerca de 10 mil pessoas e ao lado da própria senadora, Riedel afirmou que o PP de Mato Grosso do Sul não aceita a posição de neutralidade adotada pela direção nacional da legenda.

“Cara amiga e líder do nosso partido, aqui em Mato Grosso do Sul, o Progressistas não está em cima do muro. É Tereza vice-presidente”, declarou.

O governador também elevou o tom contra a decisão partidária e afirmou que continuará tentando reverter o posicionamento até o encerramento do prazo para o registro das candidaturas.

“Nós vamos brigar até terça-feira, meia-noite”, disse.

A manifestação colocou Riedel no centro de uma disputa interna dentro do próprio partido. Enquanto o diretório nacional do PP decidiu permanecer neutro na eleição presidencial, as principais lideranças da legenda em Mato Grosso do Sul defendem uma participação direta no projeto político de Flávio Bolsonaro.

Riedel diz “condenar fortemente” decisão do PP

Em entrevista coletiva após a convenção, Riedel foi ainda mais direto.

Questionado sobre a negativa do Progressistas em autorizar a indicação de Tereza Cristina, o governador afirmou não concordar com a decisão e disse que não considera o assunto encerrado.

“Eu sou do PP, não me dou por vencido. Condeno fortemente a decisão tomada pelo PP inicialmente”, afirmou.

A declaração foi feita pouco depois de o partido nacional divulgar nota confirmando a neutralidade na corrida presidencial.

A decisão inviabilizaria, em um primeiro momento, a participação formal de Tereza Cristina na chapa de Flávio Bolsonaro, apesar de a senadora ter aceitado o convite.

Riedel, porém, defendeu que o partido reavalie a posição e autorize a aliança com o PL.

“A gente precisa muito da senadora Tereza nesse momento, na chapa majoritária nacional”, afirmou.

Segundo o governador, a decisão não depende apenas da senadora, mas também da aprovação formal da direção partidária.

“Claro que essa é uma decisão que não cabe só a ela, mas aqui fica o meu registro como membro do PP de que a gente tem que lutar até o fim para que o nosso partido, em âmbito nacional, tenha essa possibilidade de se unir, coligar e poder levar o nome da senadora Tereza à Vice-Presidência do Brasil”, declarou.

Convenção estadual expôs diferença com direção nacional

A convenção em Mato Grosso do Sul mostrou uma realidade política diferente da adotada pela cúpula nacional do Progressistas.

No Estado, o PP construiu uma aliança com o PL e outros sete partidos para apoiar a reeleição de Eduardo Riedel.

O PL ocupa as duas candidaturas ao Senado dentro da chapa, com Reinaldo Azambuja e Capitão Contar.

O próprio Riedel também mantém uma relação política próxima com o grupo de Flávio Bolsonaro e defende que a união estadual seja reproduzida no cenário nacional.

A coligação sul-mato-grossense reúne PP, PL, PSD, União Brasil, PSDB, Cidadania, MDB, Republicanos e Avante.

Para Riedel, essa composição demonstra que é possível unir centro e direita em torno de um projeto político comum.

A posição do governador contrasta com a neutralidade aprovada pelo PP nacional, que preferiu não formalizar apoio a nenhuma candidatura presidencial.

Tereza é apresentada como nome capaz de unir

Durante o discurso, Riedel fez uma defesa pessoal e política de Tereza Cristina.

O governador afirmou que poucas lideranças brasileiras possuem a capacidade de articulação, formulação e execução demonstrada pela senadora ao longo da carreira.

“Poucas mulheres ou homens públicos têm a qualidade da Tereza, têm a capacidade de pensar, formular e executar o que a Tereza sempre teve no Congresso Nacional e aqui em Mato Grosso do Sul”, afirmou.

Riedel também apresentou Tereza como uma liderança capaz de contribuir com mudanças estruturais no país.

“A senadora Tereza talvez seja uma das pessoas públicas do Brasil que mais podem contribuir com o nosso futuro, pela história, pela atuação e pela capacidade de reunir pensamento e ação em favor de mudanças estruturantes”, declarou.

Segundo ele, o PP deveria enxergar na indicação uma oportunidade de participar diretamente de uma chapa presidencial competitiva.

“Temos que lutar até o fim para que o partido possa levar o nome dela à Vice-Presidência”, afirmou.

Tereza respeita decisão, mas confirma apoio a Flávio

Tereza Cristina adotou um tom mais cauteloso em relação à decisão nacional do partido.

Ao falar com os jornalistas, a senadora afirmou respeitar a posição formal do PP, mas deixou claro que continuará ao lado de Flávio Bolsonaro na campanha.

“Eu quero dizer que vou estar na campanha do Flávio Bolsonaro, de uma maneira ou de outra, ajudando, porque eu acredito que esse é o campo que pode colocar o Brasil no rumo que a gente precisa”, declarou.

A fala indica que, mesmo sem a confirmação como candidata a vice, Tereza pretende participar ativamente do projeto presidencial do PL.

A senadora também associou a aliança construída em Mato Grosso do Sul ao mesmo campo político.

“Essa coligação aqui de Mato Grosso do Sul mostra isso”, afirmou.

A declaração reforça que o diretório estadual do PP está politicamente alinhado ao PL, apesar da neutralidade adotada pela direção nacional.

Pressão até o último prazo

Riedel afirmou que continuará tentando convencer o partido até o fim do prazo eleitoral.

A pressão pública feita durante a convenção aumenta o custo político da neutralidade para a cúpula do PP, especialmente porque parte relevante das lideranças da legenda defende a entrada de Tereza na chapa.

O governador também transformou o evento estadual em um ato de mobilização em favor da senadora.

Ao afirmar que o PP de Mato Grosso do Sul “não está em cima do muro”, Riedel deixou claro que a neutralidade nacional não representa a posição política predominante no Estado.

A frase também busca diferenciar o diretório regional da decisão tomada pela direção partidária.

Riedel vincula projeto estadual ao nacional

A defesa de Tereza também aproxima a campanha de Riedel do projeto nacional de Flávio Bolsonaro.

Embora a convenção tivesse como principal objetivo oficializar a candidatura do governador à reeleição, a discussão presidencial ganhou espaço central no evento.

A presença do PL na aliança estadual, com Reinaldo Azambuja e Capitão Contar nas vagas ao Senado, já demonstrava a aproximação entre os dois partidos.

Com o discurso de Riedel, essa relação passou a ser apresentada de forma mais explícita.

O governador demonstrou que pretende caminhar ao lado de Tereza Cristina e do campo político liderado por Flávio Bolsonaro, mesmo pertencendo a um partido que, nacionalmente, optou pela neutralidade.

Neutralidade pode gerar desconforto interno

A diferença entre a posição nacional e a postura das lideranças estaduais pode produzir novos desdobramentos dentro do Progressistas.

Tereza Cristina é uma das principais figuras nacionais do partido e possui forte relação com o setor produtivo, com o agronegócio e com lideranças da direita.

A eventual indicação dela para vice de Flávio Bolsonaro daria ao PP participação direta na chapa presidencial.

Ao rejeitar a aliança, a direção nacional do partido abriu uma divergência com parte de seus próprios quadros.

Riedel, como governador e candidato à reeleição, tornou-se uma das vozes mais contundentes contra essa decisão.

A fala pública durante uma convenção de grande porte mostra que o assunto ainda é tratado como aberto pelas lideranças sul-mato-grossenses.

Tereza no centro do evento

Embora a convenção tenha confirmado toda a chapa majoritária estadual, Tereza Cristina terminou o evento como uma das personagens de maior destaque.

A senadora foi citada por Riedel como uma liderança central na construção da aliança de nove partidos e como um nome de projeção nacional.

Além disso, a defesa feita pelo governador transformou a convenção em um ato político pela presença dela na chapa presidencial.

Tereza, por sua vez, confirmou apoio a Flávio Bolsonaro independentemente da definição sobre a vice.

Com isso, o evento estadual enviou duas mensagens distintas.

A primeira foi a demonstração de força da candidatura de Riedel, apoiada por nove partidos.

A segunda foi o recado à direção nacional do PP de que o partido em Mato Grosso do Sul não pretende se manter neutro na disputa presidencial.

Convenção vira palco de pressão nacional

A ofensiva de Riedel amplia a pressão sobre o Progressistas em um momento decisivo para o fechamento das candidaturas.

Ao defender Tereza publicamente, o governador também tenta mostrar que a indicação da senadora não seria apenas uma escolha pessoal de Flávio Bolsonaro, mas uma alternativa apoiada por uma ampla base política em Mato Grosso do Sul.

A presença de lideranças do PL, do PP e de outros partidos no mesmo palanque fortaleceu essa imagem.

Riedel encerrou a convenção confirmado como candidato à reeleição, mas também como uma das principais vozes em defesa de Tereza Cristina na disputa nacional.

Agora, a expectativa se volta para a decisão final do Progressistas e para a possibilidade de o partido rever a neutralidade antes do encerramento do prazo eleitoral.