O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (19 de dezembro de 2025), a Operação “Apagar das Luzes”, que tem como alvo contratos de iluminação pública firmados pela Prefeitura de Campo Grande. A investigação é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), em apoio à 31ª Promotoria de Justiça de Campo Grande.
Com apoio operacional dos Grupos de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaecos) de Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, o MP cumpre 14 mandados de busca e apreensão nos municípios de Campo Grande e Balneário Piçarras (SC).
Empresa investigada mantém contratos com a Prefeitura desde 2021
A operação, batizada de “Apagar das Luzes”, mira diretamente a Construtora B&C (CNPJ: 04.610.413/0001-49), empresa responsável por contratos de manutenção e modernização do sistema de iluminação pública da Capital.
A empreiteira mantém vínculo contratual com a Prefeitura de Campo Grande desde 2021, quando venceu licitação para a ampliação do sistema de iluminação pública, com a substituição de lâmpadas de vapor de sódio por luminárias de LED. Desde então, os contratos foram mantidos ao longo das gestões seguintes, incluindo novos vínculos e aditivos, o que ampliou o volume de recursos públicos envolvidos.
É justamente essa continuidade contratual, associada a suspeitas sobre licitações, execução dos serviços e fiscalização, que levou o Ministério Público a aprofundar a investigação.
MP aponta fraudes reiteradas e prejuízo milionário
Segundo o MPMS, as investigações indicam a existência de reiteradas fraudes em processos licitatórios e também em contratos firmados para a execução dos serviços de manutenção do sistema de iluminação pública de Campo Grande, com superfaturamento já identificado em valor superior a R$ 62 milhões.
“As investigações indicam a ocorrência de reiteradas fraudes nos processos licitatórios, bem como nos contratos firmados para a execução do serviço de manutenção do sistema de iluminação pública de Campo Grande”, informou o Ministério Público, em nota oficial.
Contratos em vigor e aditivos sob investigação
De acordo com o MPMS, os levantamentos realizados ao longo da apuração também revelaram o envolvimento das empresas contratadas com servidores públicos de Campo Grande, ampliando o alcance da investigação para além das fornecedoras.
Outro ponto de atenção destacado pelo Ministério Público é que a investigação atinge contratos ainda em vigência, firmados em 2024, e que foram objeto de aditivos contratuais, o que levanta suspeitas sobre a regularidade da continuidade desses vínculos administrativos e sobre a fiscalização dos serviços prestados.
A apuração está sob responsabilidade da 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público, que atua no combate a irregularidades envolvendo recursos públicos e atos de corrupção na administração municipal.
Significado do nome da operação
O nome “Apagar das Luzes” faz referência direta ao objeto central da investigação — os contratos de iluminação pública — e, segundo o MPMS, simboliza também a obscuridade na gestão pública em relação aos serviços investigados, marcada por suspeitas de fraudes, superfaturamento e possíveis conluios entre empresas e agentes públicos.
O Ministério Público informou que as investigações seguem em andamento e que novos desdobramentos não estão descartados, inclusive com eventual responsabilização cível e criminal dos envolvidos, caso as irregularidades sejam confirmadas.