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Operação da PF mira investimentos da previdência de Campo Grande no Banco Master

PF afirma que servidores teriam ignorado normas técnicas e administrativas ao autorizar investimento que colocou recursos previdenciários sob risco.

O dinheiro destinado a garantir aposentadorias e pensões dos servidores municipais de Campo Grande entrou no centro de uma investigação da Polícia Federal nesta terça-feira (25).

A Operação Presciência apura suspeitas de irregularidades na aplicação de R$ 1,2 milhão do IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande) em títulos do Banco Master, instituição que posteriormente entrou em liquidação.

A operação também colocou sob os holofotes a atual vice-prefeita de Campo Grande, Camila Nascimento, que ocupava a presidência do IMPCG no período relacionado às aplicações investigadas.

Segundo apurou O Contribuinte, policiais federais chegaram nas primeiras horas desta terça-feira à SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania) e foram até a sala ocupada pela vice-prefeita.

A presença dos agentes na secretaria está relacionada justamente à passagem de Camila pelo comando do instituto previdenciário.

Além da SAS, a Polícia Federal cumpriu diligências no próprio IMPCG.

Ao todo, a 3ª Vara Federal de Campo Grande autorizou seis mandados de busca e apreensão, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

Até o momento, a investigação apura responsabilidades e não representa, por si só, condenação dos envolvidos.

Relatório apontou que normas teriam sido ignoradas

A investigação não nasceu apenas da quebra do Banco Master.

De acordo com a Polícia Federal, o ponto de partida foi um relatório elaborado pela Coordenação-Geral de Auditoria do Departamento dos Regimes Próprios de Previdência Social, órgão ligado ao Ministério da Previdência Social.

A auditoria apontou que servidores municipais teriam ignorado normas técnicas e administrativas durante o processo de aprovação da compra de Letras Financeiras.

Na avaliação apresentada às autoridades, a operação teria exposto recursos pertencentes ao sistema previdenciário municipal a riscos financeiros.

É justamente esse ponto que a investigação deverá esclarecer: quem autorizou a operação, quais critérios foram utilizados, quais alertas existiam naquele momento e se houve participação de agentes públicos ou privados em eventuais irregularidades.

Os investigados podem responder, conforme o avanço das apurações, por crimes de gestão temerária, corrupção ativa e corrupção passiva.

Investimento foi feito durante gestão da atual vice-prefeita

Um dos pontos políticos mais sensíveis do caso é o período em que a aplicação foi realizada.

A atual vice-prefeita Camila Nascimento comandava o IMPCG na época das contratações dos títulos do Banco Master.

Foi essa ligação com a antiga administração do instituto que levou agentes da Polícia Federal à SAS nesta terça-feira.

A operação aumenta a pressão para que sejam esclarecidos os procedimentos adotados dentro do instituto responsável justamente por administrar recursos destinados ao futuro financeiro de milhares de servidores municipais.

A aplicação investigada envolve dinheiro previdenciário e, portanto, recursos que têm como finalidade garantir o pagamento de aposentadorias e pensões.

Banco Master entrou em liquidação

Os recursos foram destinados ao Banco Master, instituição comandada por Daniel Vorcaro.

Posteriormente, em 2025, o Banco Central decretou a liquidação da instituição diante da falta de liquidez para honrar seus compromissos.

A instituição passou a ser alvo de diferentes investigações envolvendo suspeitas de fraudes bilionárias.

As apurações envolvendo o banco estimam prejuízos e operações suspeitas que chegam a aproximadamente R$ 12 bilhões.

Vorcaro está preso preventivamente desde março deste ano. Antes disso, em novembro de 2025, chegou a tentar deixar o país.

O colapso do banco levantou uma pergunta inevitável em diversas instituições públicas que haviam investido recursos no Master: como dinheiro público, principalmente recursos previdenciários, foi parar em aplicações consideradas de alto risco?

Em Campo Grande, essa resposta agora será buscada também pela Polícia Federal.