A Justiça de Mato Grosso do Sul recebeu denúncia contra 21 investigados na Operação Vostok, que apura um esquema de propinas da JBS em troca de benefícios fiscais concedidos pelo governo estadual. Entre os réus estão o conselheiro do Tribunal de Contas, Márcio Monteiro, e o deputado estadual José Roberto Teixeira (PSDB), além de três familiares diretos do ex-governador Reinaldo Azambuja.
A decisão foi proferida pelo juiz Deyvis Ecco, da 2ª Vara Criminal de Campo Grande, que apontou a existência de indícios de organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. “Há lastro suficiente para justificar o recebimento da denúncia, devendo a análise do acervo probatório ser feita após a instrução processual”, escreveu o magistrado.
Papel do conselheiro e do deputado
Segundo o Ministério Público, o conselheiro do TCE e ex-secretário de Fazenda, Márcio Monteiro, teve papel estratégico no esquema, assinando os termos de benefícios fiscais concedidos à JBS, que, em contrapartida, pagava propina ao grupo político de Azambuja. Monteiro também é acusado de ter usado notas fiscais frias para movimentar recursos ligados ao esquema.
Já o deputado estadual Zé Teixeira é apontado como responsável por viabilizar R$ 1,6 milhão em notas fiscais frias, mecanismo que teria servido para legitimar pagamentos ilícitos da JBS ao então governador. O parlamentar chegou a ser preso preventivamente em 2018, durante a deflagração da Operação Vostok.
Impacto no núcleo íntimo de Azambuja
A denúncia atinge em cheio o núcleo político e familiar de Reinaldo Azambuja. Entre os réus estão seu filho Rodrigo Souza e Silva, seu irmão Roberto de Oliveira Silva Júnior, sua sobrinha Gabriela de Azambuja Silva Miranda e também Cristiane Andréia de Carvalho dos Santos, que foi chefe de gabinete durante o governo tucano.
Com a inclusão de pessoas de confiança e parentes de primeiro grau, o cerco judicial se estreita em torno de Azambuja, cujo processo segue em sigilo no Superior Tribunal de Justiça.
Origem da investigação
A denúncia é baseada na delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, que relataram pagamentos de aproximadamente R$ 67,7 milhões em propinas ao grupo de Azambuja, em troca de incentivos fiscais que beneficiaram a empresa entre 2015 e 2018. Segundo a investigação, até 30% dos créditos tributários concedidos à JBS eram desviados para abastecer a organização criminosa.
Parte dos repasses teria ocorrido de forma antecipada, por meio de doações eleitorais oficiais à campanha de 2014, que levou Azambuja ao governo.
Lista completa dos 21 denunciados na Operação Vostok
- Rodrigo Souza e Silva (filho de Reinaldo Azambuja)
- Roberto de Oliveira Silva Júnior (irmão de Azambuja)
- Gabriela de Azambuja Silva Miranda (sobrinha de Azambuja)
- Cristiane Andréia de Carvalho dos Santos (chefe de gabinete)
- Márcio Monteiro (conselheiro do TCE-MS e ex-secretário de Fazenda)
- José Roberto Teixeira – Zé Teixeira (deputado estadual, PSDB)
- Nelson Cintra Ribeiro (prefeito de Porto Murtinho, PSDB)
- Osvane Aparecido Ramos (ex-deputado estadual e ex-prefeito de Dois Irmãos do Buriti)
- Zelito Alves Ribeiro (pecuarista, irmão do ex-prefeito de Aquidauana)
- João Roberto Baird (empresário)
- Ivanildo da Cunha Miranda (empresário)
- Antônio Celso Cortez (empresário)
- José Ricardo Guitti Guimaro – Polaco (intermediário)
- Daniel Chramosta (empresário)
- Pavel Chramosta (empresário)
- Léo Renato Miranda
- Elvio Rodrigues
- Francisco Carlos Freire de Oliveira
- Rubens Massahiro Matsuda
- Miltro Rodrigues Pereira
- Daniel de Souza Ferreira