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Oposição assume controle da CPMI do INSS


A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigará fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) teve a presidência e a relatoria conquistadas pela oposição em uma surpreendente reviravolta política.

Sob intensa articulação, o senador Carlos Viana (Podemos–MG) foi eleito presidente da comissão ao derrotar, por 17 votos a 14, o candidato preferido pela base governista, Omar Aziz (PSD–AM), indicado por Davi Alcolumbre (União Brasil–AP) . Logo em seguida, Viana nomeou o deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil–AL) como relator, sacudindo os arranjos previamente conduzidos pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos–PB), que tinha anunciado Ricardo Ayres (Republicanos–TO) para a função .

A vitória da oposição foi celebrada em tom de derrota para o governo: gritos de “a roubalheira do PT tá acabando” ecoaram na sessão de instalação da CPMI . O deputado Zucco (PL–RS), líder da oposição na Câmara, classificou o episódio como uma “vitória histórica”, destacando que a mobilização noturna garantiu que a comissão não virasse mais um “palanque ou pizza” . O deputado Alencar Santana (PT–SP), vice-líder do governo, buscou relativizar a derrota, proclamando que o governo continuaria com maioria no colegiado e reforçou a confiança na busca pela “verdade absoluta” . O futuro relator, Alfredo Gaspar, respondeu prometendo conduzir sua atuação com “verdade” e sem deferência ao “poderoso de plantão” .

A CPMI foi oficialmente instalada nesta quarta-feira (20). Francisco instalada, o vice-presidente da comissão ainda será definido . O colegiado — com 32 integrantes, entre deputados e senadores — terá 180 dias para investigar as suspeitas de descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.

A CPMI surge após o escândalo dos descontos indevidos que atingiram cerca de 3,2 milhões de beneficiários entre março de 2020 e março de 2025. O esquema envolvia entidades associativas e sindicatos que surgiram como fachadas para repassar valores ilegais, conforme revelaram a PF e a CGU .

A reação da oposição reflete o acirramento entre os poderes e expõe fissuras na base aliada do governo, surpreendida pela articulação paralela que quebrou acordos previamente firmados.

Com a liderança dos trabalhos assumida pela oposição, os primeiros passos devem incluir a convocação de figuras importantes ligadas às denúncias. Há expectativa de que convites e eventuais quebra de sigilo sejam pautados com firmeza, em busca da transparência prometida por Viana e sua bancada . A postura da oposição sinaliza que o processo investigativo pode se intensificar, com menos espaço para blindagens políticas.