O vice-líder da oposição na Câmara, deputado Carlos Jordy (PL), anunciou nesta quarta-feira (31) que obteve as assinaturas necessárias para instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o escândalo do Banco Master.
De acordo com o parlamentar, a comissão terá como foco apurar supostas fraudes na instituição financeira e o possível envolvimento de autoridades públicas, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A articulação conseguiu reunir o apoio de 205 parlamentares, superando o quórum constitucional mínimo. O detalhamento apresentado por Jordy mostra 177 assinaturas de deputados e 28 de senadores, enquanto os requisitos regimentais são de 171 e 27, respectivamente.
Posicionamento de parlamentares de Mato Grosso do Sul
Até o momento, assinaram o requerimento os senadores Nelsinho Trad (PSD) e Tereza Cristina (PP), e os deputados federais Rodolfo Nogueira (PL), Marcos Pollon (PL), Luiz Ovando (PP) e Beto Pereira (PSDB).
O deputado Geraldo Resende (PSDB) declarou ao Jornal Midiamax que não assinou porque não foi procurado. “Assinarei qualquer pedido de CPI, desde que chamado a fazer. Não fui procurado. Não vou ser instrumento para os radicais de oposição ao Governo nem acobertar irregulares que podem ter acontecido”, afirmou, acrescentando que, em sua experiência, “CPIs são de muito barulho e pouco resultado”.
Já o deputado Dagoberto Nogueira (PSDB) informou que não assinou o documento, mas está “aguardando mais informações” e não descarta apoiar o requerimento no futuro.
A deputada Camila Jara (PT) também não assinou, justificando que o Banco Central já está tratando do caso com seriedade. “Não faz sentido gastar tempo e recursos públicos em um tema que o Banco Central tem tratado com tamanha seriedade e responsabilidade”, disse.
A reportagem aguarda o retorno do deputado Vander Loubet (PT) e da senadora Soraya Thronicke (Podemos), contatados por meio de suas assessorias.
Estratégia e próximos passos
Apesar de o número necessário ter sido alcançado, o requerimento só poderá ser protocolado no início do ano legislativo, em fevereiro. Jordy ressaltou que, até lá, a oposição manterá a mobilização para ampliar a margem de apoio e se proteger contra eventuais desistências de parlamentares.
Em vídeo, o deputado afirmou que a pressão sobre congressistas continuará durante o recesso, visando assegurar não apenas a instalação, mas também força política para o andamento das investigações.
Foco das investigações
A iniciativa ganhou força após revelações sobre a relação entre o dono do Banco Master, Daniel Vocaro, e a esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, além da viagem do ministro Dias Toffoli ao Peru em jatinho particular do advogado de Vocaro.
Jordy enfatizou a gravidade das denúncias e a necessidade de uma apuração rigorosa, citando explicitamente a investigação de supostas fraudes que envolveriam integrantes do Supremo Tribunal Federal.
Após o protocolo em fevereiro, o próximo passo será a cobrança junto à presidência do Congresso, atualmente exercida pelo senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para a leitura do requerimento e a instalação oficial dos trabalhos da CPMI.