Em um dos apelos mais incisivos desde sua posse, o Papa Leão XIV pediu que Israel e Irã recuem de qualquer caminho que conduza a uma nova guerra e priorizem o diálogo. O pontífice enfatizou que a escalada das hostilidades representa uma séria ameaça à paz mundial e à segurança nuclear.
“Ninguém jamais deve ameaçar a existência do outro”
Durante a audiência pública na Basílica de São Pedro, o pontífice afirmou que “a situação no Irã e em Israel se deteriorou gravemente” e, diante de um “momento tão delicado”, renovou o apelo à “responsabilidade e à razão”.
Com posicionamento do tipo fortemente institucional (texto preparado em italiano), o Papa deixou claro:
“O compromisso de construir um mundo mais seguro, livre da ameaça nuclear, deve ser buscado por meio de encontros respeitosos e de diálogo sincero […]. É dever de todos os países apoiar a causa da paz, abrindo caminhos de reconciliação e promovendo soluções que garantam segurança e dignidade para todos.”
Contexto do conflito
A retórica do Papa ocorre em meio ao momento mais intenso das hostilidades nos últimos anos:
- Israel lançou ataques aéreos massivos contra instalações militares e nucleares no Irã — incluindo o complexo de Natanz —, causando dezenas de mortes .
- Retaliações iranianas com mísseis e drones atingiram áreas civis em Israel, provocando ao menos dois mortos e muitos feridos .
- Os choques comprometeram diálogos diplomáticos, como as negociações nucleares em Omã, intensificando as tensões regionais .
Reação internacional
A reação global destaca:
- Chamados à moderação de líderes como Macron, Putin e Guterres .
- O Reino Unido posicionou forças militares na região do Mediterrâneo para possível proteção aérea .
- A comunidade internacional intensifica pedidos por contenção para evitar uma escalada em conflito regional ou global.
O peso diplomático do Papa
O Vaticano mantém relações diplomáticas com ambos os países, enviando por meio de sua diplomacia sinais de mediação e denúncia da ameaça nuclear. A postura de Leo XIV reforça tradição iniciada por seus antecessores, com voz ativa em crises globais, como Bento XVI no Iraque e Francisco na guerra na Ucrânia e em Gaza.