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Papy decide não convocar nova sessão e Câmara adia reação ao veto da taxa do lixo

Presidente da Casa decidiu não convocar sessão extraordinária para derrubar veto de Adriane Lopes

A decisão do presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), de não convocar uma nova sessão extraordinária para tentar derrubar o veto da prefeita Adriane Lopes ao projeto que suspendia o aumento da taxa do lixo no IPTU, tem provocado incômodo interno entre vereadores e repercussão negativa junto à população, apurou o portal O Contribuinte.

A informação foi confirmada em primeira mão pelo portal nesta quinta-feira (15), mais de 24 horas após os últimos posicionamentos públicos do presidente da Casa. Nos bastidores, parlamentares avaliam que a decisão representa um recuo político da Câmara após um enfrentamento direto com o Executivo que ganhou forte apoio popular.

Linha do tempo do embate

Na segunda-feira (12), mesmo durante o recesso parlamentar, a Câmara Municipal foi convocada para uma sessão extraordinária e derrubou, por unanimidade, o aumento da taxa do lixo embutida no carnê do IPTU. O argumento central dos vereadores foi de que não seria possível alterar o IPTU por meio de decreto.

No entanto, já na terça-feira (13), a prefeita Adriane Lopes vetou integralmente o projeto, barrando a decisão do Legislativo.

Na quarta-feira (14), Papy concedeu entrevista exclusiva a um veículo local que costuma ter exclusividade dos tucanos, na qual reconheceu publicamente o clima de tensão, mas sinalizou cautela e descartou, naquele momento, uma reação imediata da Câmara.

“Claro que está uma crise política. Hoje está desalinhado, é uma coisa ruim para o colega vereador, porque fica recebendo pressão. Mas a responsabilidade também tem que pesar nessas horas. Então, a gente vai analisar com bastante cautela o próximo passo da Câmara para não parecer que a gente está descontando ou agindo com revanchismo”, disse Papy.

Em outro trecho da entrevista, o presidente da Casa reforçou que não pretende transformar o episódio em um embate direto com a prefeita:

“A Câmara também tem senso de responsabilidade. Não é enfrentamento político. E eu não quero que a prefeita faça enfrentamento político também. Que ela tenha sensibilidade nesse sentido.”

Decisão de Papy e reação dos vereadores

Já na quinta-feira (15), o O Contribuinte apurou que Papy decidiu não convocar nova sessão extraordinária para derrubar o veto, alegando que tenta resolver a situação “internamente” e que o tema deverá ficar para depois do recesso parlamentar, que se estende por mais de um mês.

A decisão, no entanto, não foi bem recebida por parte dos vereadores, que relataram incômodo tanto com o adiamento quanto com os posicionamentos públicos do presidente da Câmara.

Um parlamentar ouvido em reservado afirmou que o desgaste será coletivo e inevitável:

“Em ano eleitoral, isso prejudica a Casa inteira. A população não vai separar quem decidiu de quem se omitiu. No retorno do recesso, a Câmara vai precisar dar uma resposta, senão vai ficar a interpretação de que somos submissos à gestão da Adriane Lopes.”

Outro vereador destacou que a postura de Papy compromete a imagem institucional do Legislativo, especialmente diante da pressão popular causada pelo aumento do IPTU em 2026:

“Estamos sendo cobrados pelas bases. O aumento do IPTU pesou muito. Quando se deixa esse debate para depois do recesso, fica claro para a população que a prefeita venceu essa queda de braço. Isso não passa uma boa mensagem.”

Vitória política do Executivo

Nos bastidores, a leitura predominante é de que, ao adiar o enfrentamento, a Câmara perde o protagonismo conquistado na sessão extraordinária de segunda-feira. Para vereadores ouvidos pelo O Contribuinte, a falta de uma reação imediata esvazia a decisão unânime do Legislativo e transfere para o futuro um problema que já está impactando diretamente o contribuinte.

Enquanto isso, a prefeita Adriane Lopes mantém o veto e vê o assunto esfriar politicamente, ao menos até o fim do recesso, consolidando uma vitória momentânea do Executivo sobre o Legislativo.