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Paralisação da enfermagem da Santa Casa por atraso do 13º segue pelo 2º dia

A enfermagem da Santa Casa de Campo Grande entra no segundo dia de paralisação por conta do atraso do 13º salário. Nesta terça-feira (23), a categoria está reunida no saguão do hospital.

Lázaro Santana, presidente do Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul), disse que a paralisação persiste até o pagamento dos valores atrasados. “Não foi passado nenhum posicionamento diferente para resolver o problema. Continua tudo zerado”, descreve.

Com isso, cerca de 70% da equipe será reduzida, e apenas 30% vão atuar nos setores. O hospital enfrenta um colapso financeiro, que se reflete no pagamento do 13º salário de todos os funcionários, desde médicos até o setor administrativo.

A categoria recusou a proposta inicial de parcelamento do 13º em três vezes. A proposta previa o pagamento entre janeiro e março de 2026.

“Nós fomos comunicados que o hospital não tem dinheiro para pagar o trabalhador. Segundo a administração, estavam aguardando um aporte financeiro de R$ 9 milhões do Governo do Estado. Esse dinheiro pagaria 95% dos trabalhadores. Na reunião, votamos o indicativo de paralisação. Nesse período, com o número de 30% nas mobilizações”, descreve.

Administração em crise

A administração do hospital alega inadimplência e atribui a falta de reajustes à Prefeitura e ao Governo do Estado. Contudo, tanto o Estado quanto a Prefeitura estão em dia com os repasses.

A Prefeitura de Campo Grande reafirmou que está em dia com todos os repasses financeiros destinados à Santa Casa e informou que, desde o início de 2025, vem realizando aportes extras mensais no valor de R$ 1 milhão.

Já o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul informou, nesta segunda-feira, que já repassou mais de R$ 115,7 milhões durante 2025 para a Santa Casa de Campo Grande. O Estado ainda esclarece que nunca foi o responsável por pagar o 13º dos funcionários do hospital.

Segundo nota encaminhada pela SES-MS (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul), não há pactuação para que a gestão estadual seja a responsável pelo pagamento do 13º. “Nos últimos anos, em caráter extraordinário, foi realizado o pagamento de uma parcela extra de repasse aos hospitais filantrópicos do Estado, como forma de auxiliá-los no custeio e no cumprimento de suas obrigações”, esclareceu.

A SES disse ainda que todos os repasses financeiros referentes à contratualização da Santa Casa são realizados por meio de pagamentos ao município de Campo Grande, sempre no quinto dia útil. De janeiro a outubro, foram repassados R$ 90.773.147, o que corresponde a R$ 9.077.314,70 mensais.