Durante sua agenda oficial no Pará para a COP30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exibe publicamente um compromisso com pautas sociais. Internamente, no entanto, o clima no Planalto é de tensão e irritação. Uma série de relatórios de renomados institutos de pesquisa (AtlasIntel, Datafolha, Paraná Pesquisas e Genial/Quaest) chegou ao governo com um diagnóstico unânime e preocupante: a avaliação do presidente na área de segurança pública é majoritariamente negativa, tornando-se uma de suas maiores vulnerabilidades políticas.
Os números são contundentes. A megaoperação policial no Rio de Janeiro foi aprovada por cerca de 70% da população, de acordo com algumas pesquisas. Em contrapartida, a atuação de Lula na segurança é considerada “ruim” ou “péssima” por 50% dos brasileiros, com apenas 31% a avaliando positivamente. No Rio de Janeiro, a desaprovação ao presidente chega a 59%.
Um dado significativo é o apoio maciço das próprias comunidades diretamente impactadas: 80,9% dos moradores de favelas em todo o país e 87,6% no Rio aprovaram a operação. A maioria da população também deseja ver ações semelhantes replicadas em outras regiões.
O Descolamento entre Estados e Governo Federal – A situação expõe um descompasso estratégico para o Planalto. Enquanto Lula sofre desgaste, governadores como Cláudio Castro (RJ), Tarcísio de Freitas (SP), Ronaldo Caiado (GO) e outros veem sua popularidade fortalecida, associada a resultados concretos na segurança pública. A percepção que se consolida é a de que a população valoriza ações firmes e responsabiliza o governo federal pela falta de avanços na área, criando uma sensação de inércia no Palácio do Planalto.
Danos Políticos e Tentativa de Reação
A reação do governo foi imediata. Para tentar conter a percepção negativa, foi liberada uma verba de aproximadamente meio milhão de reais em campanhas publicitárias sobre segurança. No entanto, a avaliação entre aliados e assessores é de que o dano político já está consolidado e será difícil de reverter.
Com as eleições de 2026 se aproximando, as pesquisas enviam um recado claro: a segurança pública se tornou um ponto crítico para o governo Lula. O eleitorado não só apoia operações rigorosas contra o crime, como também reconhece o protagonismo dos estados e cobra eficiência da União, configurando um cenário eleitoral desafiador para o Planalto.