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PF aponta combinação de pagamentos para empresa ligada a Toffoli em relatório que cita Vorcaro

Empresa criada com capital de R$ 150 entrou em resort ligado a primo do ministro e operou com fundo conectado à teia investigada no caso Banco Master

Um relatório da Polícia Federal, revelado pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, traz novos elementos que colocam sob análise a relação entre o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, e estruturas empresariais ligadas ao ministro do STF, Dias Toffoli.

Segundo o documento, mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicariam a combinação de pagamentos para uma empresa associada ao ministro.

A seguir, os principais pontos citados no relatório.

A criação da empresa

Em 31 de agosto de 2020, foi aberta a Maridt Participações, com capital social de apenas R$ 150, registrada em um endereço residencial simples em Marília (SP).

Entrada no Resort Tayayá

A Maridt adquiriu cotas do Resort Tayayá, empreendimento no interior paulista.

As negociações envolveram as empresas Tayayá e DGEP Empreendimentos, ambas integrantes da estrutura do resort e fundadas por Mario Umberto Degani, primo do ministro Dias Toffoli.

Em um dos registros na Junta Comercial, consta que a aquisição de cotas da DGEP ocorreu por “compensação de crédito” — ou seja, a Maridt teria créditos junto à sociedade do resort, que foram compensados mediante participação societária.

Apesar do capital reduzido, a empresa passou a operar em negócios de alto valor pouco tempo depois.

O modelo da operação chama atenção pelo contraste entre o capital social da empresa e o volume dos negócios realizados.

Venda milionária ao fundo Arleen

Em setembro de 2021, a Maridt vendeu metade de suas participações no resort ao Fundo Arleen, gerido pela Reag Investimentos.

A gestora pertence ao pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.

O negócio envolveu mais de R$ 3 milhões apenas por metade da participação, dentro de um pacote maior em que o fundo Arleen investiu cerca de R$ 20 milhões nas empresas Tayayá e DGEP.

A decisão de Toffoli no caso J&F

Em 20 de dezembro de 2024, o ministro Dias Toffoli suspendeu o pagamento da multa de R$ 10,3 bilhões aplicada ao grupo J&F no acordo de leniência firmado com o Ministério Público Federal.

A decisão gerou forte repercussão política e jurídica.

Saída da sociedade

Em fevereiro de 2025, a Maridt deixou completamente o Resort Tayayá, vendendo suas participações para a PHB Holding, empresa do advogado goiano Paulo Humberto Barbosa, que já atuou em causas tributárias da JBS.

A conexão com o caso Banco Master

Segundo o relatório, a ligação com o chamado “caso Master” ocorre por meio de uma cadeia de fundos de investimento.

O Fundo Arleen foi cotista do RWM Plus, que recebeu aportes de fundos ligados ao Maia 95, um dos seis apontados pelo Banco Central como integrantes da suposta teia de fraudes associada ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Todos esses fundos têm como administradora a Reag Investimentos, que também é investigada na operação Carbono Oculto, apuração que mira suspeitas de lavagem de dinheiro para o PCC.

O que está sob análise

O relatório da PF não representa condenação, mas aponta indícios e conexões que passam a integrar o material sob avaliação das autoridades.

Entre os pontos que devem ser aprofundados:

– A origem dos créditos utilizados na “compensação” para entrada no resort;

– A natureza das mensagens encontradas no celular de Vorcaro;

– O fluxo financeiro entre empresas, fundos e sócios;

– A eventual existência de conflito de interesses.

O material foi encaminhado às instâncias competentes e pode gerar novos desdobramentos.