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Por quanto estão vendendo o Guaicurus? Preço do negócio continua fora dos documentos públicos

Operação envolve quatro concessionárias e uma garagem, mas valor e condições financeiras permanecem sob sigilo no Cade.

A tentativa de venda do Consórcio Guaicurus ao Grupo HP, de Goiás, levantou uma pergunta que ainda não pode ser respondida com base nos documentos públicos: quanto vale a negociação?

O contrato envolve a transferência das quatro empresas responsáveis pelo transporte coletivo de Campo Grande: Viação Cidade Morena, Jaguar Transportes Urbanos, Viação Campo Grande e Viação São Francisco.

Além das concessionárias, a operação contempla a aquisição de uma garagem localizada na Avenida Gury Marques, utilizada na prestação do serviço.

Entretanto, o preço do negócio e parte das condições financeiras foram apresentados ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sob sigilo.

Por que o valor não aparece?

Processos de análise de operações empresariais podem conter informações comerciais confidenciais, protegidas pelas regras do órgão federal.

Isso significa que o sigilo não representa, por si só, irregularidade.

Mesmo assim, a negociação desperta interesse público porque envolve empresas responsáveis por um serviço essencial à população de Campo Grande.

O advogado Oswaldo Meza Baptista, que representa o autor de uma ação popular relacionada à concessão, solicitou acesso a informações financeiras e patrimoniais da operação.

O pedido foi rejeitado pela Presidência interina do Cade, que manteve o tratamento confidencial dos documentos.

E o valor de R$ 170 milhões?

Um texto encaminhado ao O Contribuinte menciona que haveria comentários sobre uma negociação de R$ 170 milhões.

Esse número, entretanto, não está confirmado como preço oficial da venda nos documentos públicos examinados.

Por isso, não é possível apresentá-lo como valor efetivamente acertado entre compradores e vendedores.

A discussão também envolve as condições de pagamento e a aquisição separada da garagem.

Enquanto essas informações permanecerem restritas, o preço exato do negócio continuará sem confirmação pública.

A transparência sobre as condições da operação, respeitados os limites legais do sigilo empresarial, é um dos assuntos que merecem esclarecimentos das partes envolvidas.

Para onde foram R$ 32 milhões? Movimentações envolvendo Guaicurus entram na mira de apuração

Uma movimentação de aproximadamente R$ 32 milhões envolvendo empresas relacionadas ao Consórcio Guaicurus está entre os assuntos levantados nos documentos que fundamentaram a intervenção administrativa no transporte coletivo de Campo Grande.

O relatório preliminar da intervenção menciona questionamentos sobre transferências envolvendo a Viação Cidade dos Ipês, empresa que não integra o consórcio responsável pela concessão municipal.

A situação aparece no contexto das controvérsias financeiras e patrimoniais discutidas na ação popular que acompanha a crise do transporte coletivo.

O que precisa ser esclarecido?

A principal questão é identificar a natureza dessas operações, suas justificativas contábeis e a eventual existência de prejuízo às concessionárias.

O relatório também aponta movimentações entre empresas relacionadas e pagamentos de obrigações anteriores à concessão.

Essas informações ganham importância porque a intervenção encontrou as empresas em situação financeira delicada, com recursos insuficientes para determinadas obrigações imediatas.

A menção às transferências não significa que tenha sido comprovado um desvio criminoso de R$ 32 milhões.

É necessário diferenciar as alegações registradas na ação popular das conclusões efetivamente alcançadas pelos procedimentos de investigação.

A equipe interventora ressalta que a qualificação jurídica de movimentações financeiras e a apuração de eventuais prejuízos competem à comissão responsável pelo procedimento administrativo.

O caso levanta perguntas sobre a administração dos recursos de empresas que prestam um serviço público essencial.

Quais operações justificaram as transferências? Que documentos demonstram a finalidade dos pagamentos? Houve impacto nas finanças da concessão?

São questões que precisam ser respondidas antes de qualquer conclusão sobre responsabilidades.

Guaicurus tinha apenas R$ 415 mil em caixa quando Prefeitura assumiu intervenção

Quando a Prefeitura de Campo Grande assumiu temporariamente a gestão do Consórcio Guaicurus, em 16 de junho de 2026, encontrou uma situação financeira considerada extremamente delicada.

O relatório preliminar da intervenção revela que as empresas possuíam apenas R$ 415.198,44 disponíveis em contas bancárias.

O valor era insuficiente para cobrir o adiantamento salarial de R$ 1.035.784,72 previsto para aquele mês.

Além da falta de recursos disponíveis, as concessionárias estavam próximas do limite de suas operações de crédito.

Crédito praticamente esgotado

Segundo o levantamento, as empresas tinham R$ 11,8 milhões em limites contratados de conta garantida.

Desse total, R$ 11.736.915,40 já haviam sido utilizados, o equivalente a aproximadamente 99%.

Outra linha de crédito, de R$ 1,33 milhão, também apresentava utilização superior a 90%.

O cenário mostrava pouca margem financeira para enfrentar despesas emergenciais.

Diesel também preocupava

O relatório informa que o estoque de combustível estava em nível crítico, considerando o consumo diário necessário para manter a frota circulando.

Diante da situação, a equipe interventora estabeleceu três prioridades: pagamento de salários e benefícios, abastecimento dos ônibus e aquisição de peças essenciais para manutenção.

A medida buscou evitar que a crise financeira provocasse interrupções no transporte coletivo.

Os números ajudam a entender a gravidade do cenário encontrado pela Prefeitura e levantam questionamentos sobre a gestão financeira anterior à intervenção.

O levantamento retrata a situação verificada em junho, não necessariamente a condição atual das empresas.

A apuração das causas e responsabilidades continua sendo fundamental para definir uma solução duradoura para a concessão.