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PP barrou Tereza, mas ganhou presente do PL: saída de Alfredo dá sobrevida a Arthur Lira em Alagoas

Progressistas manteve neutralidade, travou a indicação de Tereza Cristina e agora vê uma de suas principais lideranças ganhar espaço com a retirada do candidato mais competitivo do PL em Alagoas

A escolha de Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro provocou uma reviravolta que ultrapassa a disputa pelo Palácio do Planalto e atinge diretamente a eleição para o Senado em Alagoas.

Ao retirar Alfredo da corrida estadual, Flávio levou para sua chapa o candidato que aparecia numericamente na liderança do Paraná Pesquisas e dividia a primeira colocação com Renan Calheiros no levantamento do Instituto Vox Brasil.

A decisão beneficia diretamente Arthur Lira, ex-presidente da Câmara dos Deputados e candidato ao Senado pelo Progressistas.

Lira havia sido lançado oficialmente pelo PP apenas dois dias antes, durante convenção realizada no domingo, 2 de agosto, em Maceió.

Até então, ele enfrentava uma disputa extremamente difícil contra Alfredo Gaspar e Renan Calheiros pelas duas vagas de Alagoas no Senado.

Em um dos levantamentos, Arthur aparecia apenas em terceiro lugar, aproximadamente 11 pontos atrás dos líderes. No outro, estava tecnicamente empatado com Alfredo e Renan, mas numericamente abaixo do candidato do PL.

Agora, o principal concorrente deixa a eleição estadual e segue para a disputa nacional.

Arthur ganha sobrevida.

E o maior beneficiado é justamente o Progressistas, partido que decidiu permanecer neutro na eleição presidencial, recusou-se a liberar Tereza Cristina como vice de Flávio e manteve sua posição mesmo após pressões de Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Eduardo Riedel, empresários e lideranças do agronegócio.

Paraná Pesquisas colocava Alfredo numericamente na liderança

No levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, Alfredo Gaspar aparecia numericamente na primeira colocação na corrida pelas duas vagas ao Senado.

Os números eram:

Alfredo Gaspar, do PL: 40,4%;

Arthur Lira, do Progressistas: 39,8%;

Renan Calheiros, do MDB: 36,4%.

Considerando a margem de erro divulgada originalmente para o levantamento, os três candidatos estavam tecnicamente empatados.

Numericamente, entretanto, Alfredo ocupava a primeira posição.

A pesquisa foi realizada entre os dias 28 de junho e 1º de julho de 2026 e ouviu 1.400 eleitores em 52 municípios de Alagoas.

O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número AL-04491/2026.

Em uma eleição na qual o eleitor pode escolher dois candidatos, a presença de Alfredo entre os primeiros colocados deixava Arthur Lira e Renan Calheiros em confronto direto pela segunda vaga.

Sua saída retira justamente o candidato que aparecia à frente e amplia o espaço para os dois políticos mais tradicionais do estado.

Vox Brasil mostrava Arthur Lira apenas na terceira colocação

O cenário era ainda mais difícil para Arthur Lira no levantamento do Instituto Vox Brasil realizado em julho.

Na pesquisa estimulada, em que os eleitores podiam escolher até dois candidatos, Alfredo Gaspar e Renan Calheiros apareciam tecnicamente empatados na liderança, ambos com pouco mais de 42% das intenções de voto.

Arthur Lira registrava 31,5%.

Na sequência, apareciam:

Davi Davino Filho: 18,7%;

Doutor Wanderley: 11,1%;

Eudocia JHC: 7,7%.

O Vox Brasil ouviu presencialmente 1.200 eleitores em Alagoas.

A margem de erro era de 2,83 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Nesse retrato, Arthur estava aproximadamente 11 pontos atrás dos dois primeiros colocados.

Se aquele cenário fosse reproduzido nas urnas, Alfredo e Renan seriam os favoritos para conquistar as duas vagas, deixando o ex-presidente da Câmara fora do Senado.

Pesquisas não antecipam resultados definitivos, mas revelam a dimensão do obstáculo enfrentado por Arthur antes da retirada do candidato do PL.

Alfredo deixa a disputa em posição de força

Alfredo Gaspar não estava deixando uma candidatura apenas protocolar.

Ele havia sido oficializado pelo PL para concorrer ao Senado e aparecia com possibilidade concreta de vitória nos dois levantamentos apresentados.

Arthur Lira havia sido lançado dois dias antes

O Progressistas confirmou Arthur Lira como candidato ao Senado durante convenção realizada em Maceió no domingo, 2 de agosto.

Dois dias depois, Alfredo Gaspar foi retirado da corrida estadual para integrar a chapa presidencial.

Arthur entrou oficialmente na eleição sabendo que enfrentaria dois candidatos com bases consolidadas e desempenho superior ou semelhante ao seu nas pesquisas.

De um lado estava Renan Calheiros, senador experiente, com décadas de influência política e estrutura partidária em Alagoas.

Do outro estava Alfredo, candidato ligado à direita, ao PL e ao discurso de combate à criminalidade e à corrupção.

No Vox Brasil, Arthur aparecia fora das duas vagas.

No Paraná Pesquisas, estava dentro de um empate técnico, mas numericamente atrás de Alfredo.

A decisão de Flávio muda esse quadro apenas dois dias após o lançamento oficial de Lira.

PP não apoiou Flávio, mas recebeu o maior benefício

A principal contradição política está na postura do Progressistas.

O partido decidiu permanecer neutro na disputa presidencial.

Essa decisão impediu a confirmação de Tereza Cristina como candidata a vice de Flávio Bolsonaro.

Tereza havia aceitado o convite e era considerada pelo próprio candidato como sua “vice dos sonhos”.

Mesmo assim, a direção nacional do PP, comandada por Ciro Nogueira, recusou-se a formalizar o apoio.

Sem Tereza e sem o respaldo do Progressistas, Flávio optou por Alfredo, um nome do próprio PL.

O resultado dessa decisão beneficia diretamente Arthur Lira, uma das maiores lideranças nacionais do mesmo PP que não apoiou a candidatura presidencial.

O partido ficou neutro, não entregou a vice e ainda ganhou uma disputa mais favorável em Alagoas.

Tereza aceitou integrar a chapa

A senadora Tereza Cristina não era apenas uma hipótese distante.

Ela aceitou o convite feito por Flávio e demonstrou disposição para disputar a Vice-Presidência.

Conforme informações anteriormente apuradas pelo O Contribuinte, Tereza apresentou condições para participar da chapa, incluindo maior protagonismo feminino em um eventual governo.

Flávio teria concordado com os pontos apresentados.

A composição dependia, porém, da autorização do Progressistas e da federação União Progressista.

Depois de consultar os diretórios estaduais, a cúpula partidária decidiu reafirmar a neutralidade.

Tereza declarou respeitar a posição e afirmou que continuaria ajudando Flávio “de uma maneira ou de outra”.

O que Tereza acrescentaria à chapa

Tereza Cristina ofereceria a Flávio uma composição mais ampla do ponto de vista político, eleitoral e econômico.

A senadora agregaria:

experiência como ministra da Agricultura;

forte interlocução com o agronegócio;

influência na Frente Parlamentar da Agropecuária;

presença feminina na chapa;

relacionamento com o centro e a centro-direita;

diálogo com empresários e o setor produtivo;

votação recorde em Mato Grosso do Sul;

e apoio de uma legenda diferente do PL.

Tereza foi eleita senadora em 2022 com 829.149 votos, tornando-se a candidata mais votada da história de Mato Grosso do Sul para o cargo.

Sua presença poderia ampliar a chapa entre produtores rurais, mulheres, empresários e eleitores que não pertencem ao núcleo mais ideológico do bolsonarismo.

Alfredo oferece segurança, mas não amplia a aliança

Alfredo Gaspar é considerado um excelente quadro dentro das áreas de segurança pública, Ministério Público e combate à corrupção.

Sua trajetória fortalece o discurso contra o crime organizado e permite à campanha explorar a atuação na CPMI do INSS.

Entretanto, ele pertence ao próprio PL.

Sua escolha não acrescenta uma nova legenda, não amplia a estrutura nacional da coligação e não traz o mesmo alcance feminino e empresarial oferecido por Tereza.

Flávio resolve o problema da Vice-Presidência, mas mantém uma chapa partidariamente isolada.

Ciro manteve neutralidade apesar da pressão

Ciro Nogueira sustentou a neutralidade mesmo diante de uma ofensiva política conduzida por diferentes lideranças.

Michelle Bolsonaro telefonou diretamente ao presidente do PP e pediu a liberação de Tereza.

Ciro manteve a negativa.

Tarcísio de Freitas também atuou nos bastidores.

Empresários de São Paulo e integrantes ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária defenderam a senadora.

Eduardo Riedel declarou que brigaria até o último momento para que o Progressistas aceitasse a composição.

Nada disso alterou a posição da direção partidária.

Exclusivo: projeto de reeleição de Ciro pesou

Oficialmente, o Progressistas afirmou que a maioria dos diretórios estaduais preferiu a neutralidade para preservar os diferentes cenários regionais.

Conforme apuração exclusiva do O Contribuinte, entretanto, o projeto de reeleição de Ciro Nogueira no Piauí também teve papel importante na decisão.

O presidente do PP disputa um novo mandato em um estado onde Lula e o PT possuem grande força eleitoral.

Segundo fontes que acompanham as articulações, Ciro teria buscado evitar que sua candidatura se tornasse alvo prioritário da estrutura petista.

A versão de bastidor aponta para um suposto entendimento político destinado a reduzir ataques contra sua reeleição.

Em contrapartida, o Progressistas manteria distância formal da candidatura de Flávio.

Investigação aumenta importância da reeleição de Ciro

Ciro também enfrenta investigação da Polícia Federal relacionada ao Banco Master e a Daniel Vorcaro.

A PF apura suspeitas envolvendo:

pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil;

repasses que teriam alcançado aproximadamente R$ 6 milhões;

viagens internacionais;

hospedagens e restaurantes de luxo;

uso de aeronaves particulares;

participação societária com suposto deságio;

e atuação parlamentar em pautas de interesse do banco.

A defesa de Ciro nega ilegalidades e afirma que o senador está à disposição da Justiça.

Dois ganhos para o Progressistas

Ao final da movimentação, o Progressistas obteve benefícios em dois estados.

No Piauí, Ciro manteve a neutralidade considerada importante para seu projeto de reeleição.

Em Alagoas, Arthur Lira viu sair da disputa um candidato que liderava ou dividia a liderança nas pesquisas.

O PP não precisou apoiar Flávio, não assumiu os custos de uma aliança presidencial e ainda recebeu uma vantagem eleitoral direta.

Tereza, por outro lado, ficou fora da chapa.

PL pode ter aberto mão de uma vaga no Senado

A decisão também cobra um preço do Partido Liberal.

Ao retirar Alfredo, o PL abre mão de um candidato que apresentava grande chance de conquistar uma das vagas de Alagoas no Senado.

A Casa possui papel estratégico na aprovação de autoridades, ministros de tribunais superiores, projetos nacionais e processos de impeachment.

A legenda precisará encontrar um substituto capaz de absorver o eleitorado de Alfredo.

Caso não consiga, poderá perder uma vaga competitiva no Senado enquanto disputa a Presidência com uma chapa formada integralmente pelo próprio partido.

Um presente sem contrapartida

Para setores da direita, a leitura será inevitável.

O Progressistas recusou a composição com Tereza.

Ciro manteve a neutralidade.

O partido não aderiu à candidatura de Flávio.

Mesmo assim, Arthur Lira recebeu um benefício direto com a retirada de Alfredo.

Flávio resolveu sua necessidade nacional, mas facilitou a vida de uma das principais lideranças do partido que se recusou a acompanhá-lo.

De terceiro lugar a uma nova chance

Os números revelam a dimensão da mudança.

No Vox Brasil, Arthur tinha 31,5%, enquanto Alfredo e Renan apareciam com pouco mais de 42%.

No Paraná Pesquisas, Alfredo marcava 40,4%, Arthur tinha 39,8% e Renan aparecia com 36,4%.

A saída de Alfredo não transforma Arthur automaticamente em senador.

Mas remove o candidato que aparecia à sua frente e amplia significativamente suas possibilidades.

O ex-presidente da Câmara, que corria risco de ficar fora das duas vagas, recebe uma sobrevida concreta.

Neutralidade com recompensa

O episódio mostra como uma decisão nacional pode alterar profundamente uma eleição estadual.

Ciro preservou sua estratégia no Piauí.

Arthur ganhou espaço em Alagoas.

Tereza ficou fora da chapa presidencial.

Alfredo deixou uma candidatura altamente competitiva.

E Flávio formou uma chapa puro-sangue, sem conseguir ampliar sua aliança partidária.

Ao final, o Progressistas permaneceu neutro e saiu beneficiado.

A escolha de Alfredo Gaspar não garante a eleição de Arthur Lira.

Mas entrega ao ex-presidente da Câmara algo que as pesquisas mostravam não estar garantido: uma chance muito maior de conquistar uma das duas vagas de Alagoas no Senado.