A Operação Spotless, deflagrada nesta semana pelo Gaeco e pelo Gecoc, além de revelar um suposto esquema de corrupção milionário na Prefeitura de Terenos, também trouxe à tona um aspecto que abalou a sociedade local: seis dos doze presos integravam a mesma loja maçônica da cidade.
Entre os detidos estão o prefeito Henrique Wancura Budke (PSDB), apontado como líder da organização criminosa, o policial militar do Choque Fábio André Hoffmeister Ramires, além de Genilton da Silva Moreira, Hander Luiz Corrêa Grote Chaves e Orlei Figueiredo Lopes. Todos aparecem em registros da loja maçônica de Terenos, ao lado de outros irmãos da ordem.
Esquema de R$ 15 milhões
Segundo as investigações, o grupo fraudava licitações públicas, simulando concorrência e direcionando contratos para empresas ligadas ao esquema. Em troca, havia pagamento sistemático de propina a agentes públicos, que aceleravam liberações de notas fiscais e atestavam serviços muitas vezes não executados.
Só em 2023, os contratos sob suspeita ultrapassaram R$ 15 milhões. O prefeito teria recebido diretamente R$ 611 mil em propinas, parte das quais teria sido usada para adquirir imóveis e participação em empresas, inflando seu patrimônio em quase 700% em quatro anos.
Constrangimento à maçonaria
A revelação de que metade dos presos fazia parte da mesma loja maçônica em Terenos causou forte constrangimento entre membros da instituição, que tradicionalmente se apresenta como defensora de valores éticos, disciplina e respeito às leis.
Embora a maçonaria não tenha ligação direta com os atos investigados, o envolvimento de maçons em um escândalo dessa magnitude foi visto como um abalo à imagem pública da entidade, que agora lida com cobranças de posicionamento interno e externo.