A Prefeitura de Sidrolândia divulgou uma nota oficial nesta terça-feira (18) após a deflagração da Operação Dirty Pix, que apura desvio de R$ 5,4 milhões destinados ao Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa. Apesar de três integrantes da atual gestão estarem entre os investigados, o Executivo decidiu manter todos nos cargos enquanto aguarda o avanço das investigações. O prefeito Rodrigo Basso (PL), porém, optou pelo silêncio e não concedeu declarações públicas além da nota encaminhada à imprensa.
Segundo o comunicado, o município acompanha “com responsabilidade” os desdobramentos da operação e reforça que os fatos investigados teriam ocorrido em 2022, período em que a administração municipal e a composição da Câmara eram outras. “Até o momento, não há qualquer medida relacionada às funções que esses servidores desempenham na administração”, afirma a gestão.
Secretários seguem nos cargos mesmo sendo alvos
Dos alvos da operação, três ocupam cargos estratégicos na gestão atual:
- Cristina Fiúza (MDB) – vice-prefeita
- Enelvo Filini Júnior – secretário de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente
- Cleyton Martins Teixeira – secretário de Agricultura e Abastecimento
Apesar de terem sido críticos da gestão anterior — assim como o próprio Rodrigo Basso, que venceu eleições fazendo oposição ao antigo governo — tanto Enelvo quanto Cristina aparecem agora no centro das apurações que investigam atos supostamente cometidos naquele período.
Embora, em tese, o prefeito pudesse exonerar os secretários, a vice-prefeita só perde o cargo caso tenha o mandato cassado ou seja declarada inelegível. Por ora, a prefeitura decidiu não afastar ninguém.
O que investiga a Operação Dirty Pix
A ofensiva, realizada pelo Gecoc e com apoio do Gaeco, cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em Sidrolândia e Manaus. A investigação aponta que parte dos R$ 5,4 milhões destinados à compra de um aparelho de ressonância magnética e um autoclave hospitalar foi desviada pela direção do hospital em parceria com empresas fornecedoras.
O esquema envolveria pagamentos de propina por Pix a vereadores, secretários e ao então presidente do hospital, Jacob Breure. As transferências teriam sido feitas diretamente ou por meio de terceiros, inclusive empresas.
Entre os investigados estão:
- Cristina Fiúza (MDB), vice-prefeita
- Enelvo Filini Júnior, secretário
- Cleyton Martins Teixeira, secretário
- Izaqueu Diniz (Gabriel Autocar) – vereador
- Cledinaldo Cotócio – vereador
- Adavilton Brandão – vereador
- Elieu Vaz – ex-vereador
- Jacob Breure – presidente do hospital
- José Ademir Gabardo – ex-vereador
- Júlia Carla Nascimento
- Júlio César Alves da Silva
- Comercial Gabardo (empresa)
- Gabriel Auto Car (empresa)
- Farma Medical (empresa)
- Pharbox Distribuidora Farmacêutica (empresa) – apontada como elo principal no pagamento de vantagens indevidas
Prefeito evita falar sobre o caso
Apesar da gravidade do caso e da presença de membros da própria gestão na lista de investigados, o prefeito Rodrigo Basso (PL) não concedeu entrevistas, não gravou vídeos e não publicou comentários adicionais sobre a operação. A única manifestação oficial da administração foi a nota institucional, sem detalhar posicionamentos pessoais do chefe do Executivo.
A prefeitura afirma que continua acompanhando as apurações e que manterá a comunidade informada “com transparência e responsabilidade”.