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Preso há três meses, Bernal recorre ao STJ após sucessivas negativas da Justiça de MS

Defesa sustenta que encerramento da instrução reduz necessidade da prisão preventiva, mas Justiça de Mato Grosso do Sul mantém entendimento contrário.

A defesa do ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) na tentativa de reverter a prisão preventiva decretada após a morte do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini. O recurso, obtido pela reportagem, já está no gabinete do ministro Og Fernandes e tramita em regime de prioridade.

A nova investida jurídica ocorre depois de sucessivas negativas da Justiça de Mato Grosso do Sul aos pedidos de liberdade apresentados pela defesa. A estratégia dos advogados ganhou força após o encerramento da fase de instrução criminal, quando todas as testemunhas foram ouvidas e o processo avançou para a etapa de alegações finais.

Bernal está preso desde o dia 24 de março, data em que Roberto Mazzini foi morto em um imóvel localizado no Jardim dos Estados, em Campo Grande. Para os defensores do ex-prefeito, a conclusão das audiências teria afastado os fundamentos que justificariam a manutenção da custódia cautelar.

O entendimento, porém, não foi acolhido pelo juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri. Ao rejeitar o terceiro pedido de liberdade formulado pela defesa, o magistrado afirmou que não houve qualquer fato novo capaz de alterar o cenário processual que motivou a prisão preventiva.

Na decisão, Garcete ressaltou que permanecem presentes os elementos que indicam a materialidade do crime e os indícios de autoria, reforçados pelos depoimentos colhidos durante a instrução. O juiz também afastou o argumento relacionado à idade e às condições de saúde do ex-prefeito, destacando que a prisão domiciliar depende da comprovação de que o sistema prisional não oferece atendimento médico adequado.

Enquanto aguarda a análise do habeas corpus pelo STJ, Bernal acompanha da prisão a reta final da ação penal que poderá levá-lo ao Tribunal do Júri.

PROCESSO ENTRA NA FASE DECISIVA

Com o encerramento das oitivas, o processo entrou oficialmente na fase de alegações finais. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul é o primeiro a apresentar suas considerações. Em seguida, será a vez da assistência de acusação, representada pelos familiares da vítima.

A participação da família de Roberto Mazzini foi autorizada pelo juiz às vésperas das audiências. A habilitação da esposa e dos filhos como assistentes de acusação havia sido requerida ainda em abril, mas somente foi deferida em maio.

Na etapa final, caberá à defesa de Bernal apresentar sua versão consolidada dos fatos antes que a Justiça decida se o ex-prefeito será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Durante a instrução foram ouvidas mais de dez testemunhas. Entre elas, o filho da vítima, Gabriel Mazzini, o chaveiro que acompanhava Roberto no momento do crime, funcionários da empresa de segurança contratada por Bernal, policiais, vizinhos, ex-integrantes da administração municipal e o próprio réu.

ACUSAÇÃO APONTA MOTIVAÇÃO POR DISPUTA DE IMÓVEL

Bernal foi denunciado pela 19ª Promotoria de Justiça de Campo Grande por homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo.

Segundo o Ministério Público, Roberto Mazzini havia adquirido em leilão o imóvel que anteriormente pertencia ao ex-prefeito e compareceu ao local para tomar posse da propriedade quando foi atingido pelos disparos.

A denúncia sustenta que o crime foi motivado pela inconformidade de Bernal com a perda do imóvel. Os promotores também apontaram qualificadoras por motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e pelo fato de Mazzini ter mais de 60 anos.

Posteriormente, o Ministério Público pediu a inclusão da qualificadora de meio cruel e do crime de violação de domicílio. Para os promotores, após um primeiro disparo, a vítima já estaria incapacitada quando ocorreu o segundo tiro, efetuado a curta distância.

O CRIME

O caso ocorreu na tarde de 24 de março de 2026, em uma residência localizada no Jardim dos Estados. Conforme a investigação, Roberto Mazzini foi ao imóvel acompanhado de um chaveiro para assumir a posse da propriedade adquirida em leilão.

A vítima foi atingida por pelo menos dois disparos. Equipes do Corpo de Bombeiros realizaram manobras de reanimação por cerca de 25 minutos, mas o fiscal tributário não resistiu aos ferimentos.

Após o episódio, Alcides Bernal se apresentou espontaneamente à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro. Desde então, permanece preso preventivamente enquanto responde às acusações na Justiça.