Prisão decretada por Moraes se sustenta em denúncia informal, contrariando registros oficiais da plataforma
A defesa de Filipe Martins apresentou documentos oficiais que desmontam mais um dos fundamentos utilizados para justificar sua prisão preventiva. Relatórios técnicos oficiais do LinkedIn/Microsoft demonstram, de forma objetiva e inequívoca, que o último acesso do réu à conta na rede social ocorreu em setembro de 2024, e não em 2025, como foi alegado para embasar a decisão judicial.
Segundo os logs oficiais de acesso, o último login legítimo foi registrado em 13 de setembro de 2024, às 05h19 (UTC) — o que corresponde a 02h19 no horário de Brasília — associado ao IP 146.70.183.190 e a um dispositivo Android, compatível com uso regular do aplicativo.
Já o suposto acesso em 4 de janeiro de 2026, citado para justificar a prisão, não partiu de Filipe Martins, mas sim de um login realizado pela Defesa Técnica, justamente com o objetivo de coletar os registros oficiais, uma vez que o réu já se encontrava preso.

Prisão decretada com base em e-mail e prints, sem perícia ou verificação técnica
Apesar da existência de registros técnicos claros, a decisão que manteve Filipe Martins preso foi baseada em um e-mail suspeito acompanhado de prints, sem qualquer perícia técnica, sem validação de autenticidade e sem confronto com os logs oficiais da plataforma.
Em outras palavras, a prova técnica que inocenta foi ignorada, enquanto uma denúncia informal, sem cadeia de custódia comprovada, foi suficiente para decretar a prisão.
Para especialistas ou mesmo para o cidadão comum, o cenário levanta um questionamento elementar: como uma prisão preventiva pode se sustentar quando a própria prova técnica oficial contradiz o motivo alegado?
Segunda prisão derrubada pela defesa: padrão começa a soar como perseguição
Esta não é a primeira vez que Filipe Martins passa por essa situação. É a segunda prisão em que, posteriormente, a defesa consegue demonstrar de forma documental que o fundamento utilizado simplesmente não existia.
Antes, Filipe Martins foi preso por uma viagem que não fez.
Agora, por um acesso a rede social que não ocorreu.
A sucessão de erros — ou omissões — começa a soar, inclusive para quem não é do meio jurídico, como algo além de falha processual. Quando os motivos da prisão vão sendo desmontados um a um, a narrativa de mera cautela perde força e dá lugar a uma percepção cada vez mais disseminada de perseguição política.

Quando a prova inocenta, ela é descartada; quando acusa, vira prisão
Os logs oficiais da Microsoft/LinkedIn não deixam margem para interpretação: não houve login de Filipe Martins no período alegado. Trata-se de prova técnica, objetiva e auditável.
Ainda assim, a prisão foi mantida.
O caso expõe uma inversão preocupante de critérios:
– Quando a prova inocenta, ela é ignorada
– Quando uma denúncia informal acusa, ela basta para prender
Isso já não se assemelha a uma medida cautelar. Soa como pena antecipada, aplicada sem o devido respeito ao contraditório técnico.
Reações políticas reforçam gravidade do caso
Parlamentares de diferentes espectros já se manifestaram sobre o episódio. O deputado Nikolas Ferreira classificou o caso como “absurdo”:
“O caso do Filipe Martins é o mais absurdo do mundo. Cada dia que passa os ‘motivos’ da prisão dele simplesmente caem, um atrás do outro. Soltem ele, logo.”
Já o deputado Marcel Van Hattem foi ainda mais direto:
“Filipe Martins: preso por uma viagem que não fez, por uma minuta que não existe nos autos, por uma reunião em que não esteve e, agora, por acesso a rede social que não ocorreu. É o caso mais claro de que não há Justiça, mas perseguição descarada contra opositores do regime do PT.”
Um caso que ultrapassa o jurídico e preocupa a sociedade
O episódio envolvendo Filipe Martins deixa de ser apenas um debate jurídico e passa a ser um alerta institucional. Se provas técnicas oficiais não são suficientes para impedir uma prisão, e se prints sem perícia têm mais peso que registros auditáveis, o problema já não é individual — é sistêmico.
Para o contribuinte, para o cidadão comum e para qualquer pessoa que acredita no devido processo legal, a pergunta é inevitável: quem será o próximo?