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Propina em família: esquema de Claudinho Serra envolvia até os pais nas entregas de dinheiro

Durante a 4ª fase da Operação Tromper, deflagrada no início de junho, 5, o MPMS e o Gaeco descobriram que o ex-vereador e secretário de Fazenda de Sidrolândia, Claudinho Serra (PSDB), utilizava os próprios pais como canais para receber propina de empreiteiras envolvidas em contratos públicos.

Conversas de celular apreendidas em 2024 revelam que o pagador intermediário, Thiago Rodrigues Alves, combinava diretamente com Claudinho a entrega do dinheiro ao pai, Cláudio Serra, em tom codificado, indicando locais e horários para a “encomenda” ser deixada. Em trecho típico da troca de mensagens:

“Tenho que levar encomenda do Claudinho… to descendo pra ai”

“Vai entregar td para o pai?”

Conversa de Claudinho e Thiago revela, segundo Gaeco, pagamento de propina através do pai de Claudinho.

Separadamente, a mãe de Claudinho, Márcia Regina, foi apontada como “laranja” em contratos fraudados, como o de manutenção do cemitério municipal. A empresa JL Serviços recebeu R$ 160 mil por serviços que nunca foram realizados, com repasses feitos a ela para dissimular o beneficiário final: o filho Claudinho.

De acordo com o Ministério Público, o assessor de Cláudinho operava como “caixa” do esquema, movimentando valores que mantinham a estrutura de poder de Claudinho. Entre as transações, destacam-se pagamentos a buffet de evento infantil, parcelas de lotes imobiliários, somando dezenas de milhares de reais, e repasses via PIX vindos de construtoras como GC Obras, com valores de até R$ 50 mil. 

Na 4ª fase da Tromper, foram expedidos três mandados de prisão contra Claudinho, o assessor e o empreiteiro Cleiton Nonato Corrêa, além de 29 mandados de busca e apreensão relacionados ao caso. A acusação aponta propina média entre 10% e 20% sobre os contratos públicos, configurando organização criminosa voltada ao desvio de recursos municipais.

A defesa de Claudinho Serra entrou com pedido de habeas corpus, mas o tribunal manteve o político preso e rejeitou o relaxamento da tornozeleira eletrônica, intensificando seu monitoramento por novos 180 dias.