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Quando Lula diz que o Brasil é mais democrático que os EUA e a realidade desmente

Em mais uma de suas declarações polêmicas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “em muitas coisas” o Brasil seria “muito mais democrático” que os Estados Unidos. A fala, feita durante a 4ª Conferência Nacional de Economia Popular e Solidária, serviu de palanque para críticas à política americana e para uma narrativa conveniente que ignora as próprias fragilidades institucionais brasileiras.

Lula citou o episódio da invasão ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, dizendo que, caso fosse no Brasil, Donald Trump estaria sendo julgado. Também resgatou o discurso de que “os americanos até participaram do golpe de 1964”, numa tentativa de reforçar uma visão histórica alinhada ao seu campo ideológico.

Entretanto, a autoproclamação de “democracia mais madura” contrasta com a realidade de um país que mantém o voto obrigatório, foro privilegiado para políticos e um Judiciário acusado de agir de forma seletiva em processos envolvendo adversários políticos. Além disso, casos recentes de censura nas redes sociais e perseguição a opositores têm acendido alertas internacionais sobre o enfraquecimento da liberdade de expressão no Brasil.

Comparar-se aos EUA apenas pelos erros americanos é uma manobra retórica. Os Estados Unidos, mesmo enfrentando retrocessos democráticos apontados por institutos como a Freedom House e o Democracy Index, ainda preservam pilares que o Brasil não consolidou: federalismo funcional, liberdade de imprensa sem controle estatal e sistema eleitoral auditável.

Para críticos, Lula utiliza esse tipo de comparação para fortalecer seu discurso e desviar a atenção de problemas internos, como corrupção endêmica, instabilidade econômica e crises políticas recorrentes. O presidente prefere projetar uma imagem internacional de país exemplar, mas ignora que, na prática, a democracia brasileira segue marcada por privilégios, aparelhamento institucional e déficits de liberdade.