Deputado federal por Alagoas atuou durante 24 anos no Ministério Público, comandou a Segurança Pública do estado e ganhou projeção nacional como relator da CPMI do INSS.
Escolhido por Flávio Bolsonaro para completar a chapa presidencial do Partido Liberal, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto chega à disputa pelo Palácio do Planalto com uma trajetória construída principalmente no Ministério Público, na segurança pública e no combate às organizações criminosas.
Deputado federal por Alagoas, Alfredo tem 55 anos, nasceu em Maceió, é advogado, casado e pai de três filhos.
Antes de entrar definitivamente na política eleitoral, ele passou 24 anos no Ministério Público de Alagoas, onde ocupou funções de destaque e consolidou uma imagem ligada à investigação criminal, ao enfrentamento da corrupção e à defesa da segurança pública.
Sua escolha por Flávio representa uma aposta em um perfil técnico, jurídico e de autoridade institucional.
Ao mesmo tempo, retira Alfredo de uma disputa ao Senado em Alagoas na qual aparecia como um dos nomes mais competitivos.
Formação e origem
Alfredo Gaspar é graduado em Direito e possui pós-graduação em Direito Público.
Natural da capital alagoana, construiu praticamente toda sua trajetória profissional e política no estado.
Sua entrada na vida pública ocorreu pelo Ministério Público, instituição em que permaneceu por mais de duas décadas.
Ao longo desse período, tornou-se conhecido por atuar em áreas relacionadas ao combate ao crime, à corrupção e às organizações criminosas.
24 anos no Ministério Público
Alfredo ingressou no Ministério Público de Alagoas e atuou durante 24 anos como promotor de Justiça.
A experiência acumulada na instituição se tornou o principal elemento de sua identidade pública.
Durante sua carreira, participou de investigações, operações e ações relacionadas à criminalidade organizada, à corrupção e à segurança pública.
Também exerceu o cargo de procurador-geral de Justiça de Alagoas, posição máxima do Ministério Público estadual.
Como procurador-geral, passou a coordenar institucionalmente a atuação dos promotores e procuradores do estado.
A função ampliou sua visibilidade e fortaleceu seu nome entre integrantes do sistema de Justiça, das forças de segurança e da classe política.
Combate às organizações criminosas
Alfredo também presidiu o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas.
A atuação nesse espaço lhe deu projeção para além de Alagoas e reforçou sua especialização em temas relacionados a facções, lavagem de dinheiro, corrupção e criminalidade organizada.
Esse histórico deverá ser utilizado pela campanha de Flávio para apresentar a chapa como preparada para enfrentar a expansão das facções criminosas no país.
A segurança pública tende a ocupar posição central no discurso eleitoral.
Flávio deverá explorar a experiência de Alfredo para defender ações mais rígidas contra o crime organizado, maior integração entre as forças policiais e mudanças legislativas na área penal.
Secretário de Segurança Pública
Além da atuação no Ministério Público, Alfredo Gaspar comandou a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas.
No cargo, passou a lidar diretamente com a gestão das forças policiais, com o planejamento de operações e com a formulação de políticas de combate à criminalidade.
A passagem pelo Executivo estadual diferencia Alfredo de nomes que possuem experiência apenas legislativa.
Ele poderá argumentar que conhece tanto a investigação criminal quanto a gestão prática da segurança pública.
Esse é um dos principais ativos que Flávio pretende levar para a campanha.
Entrada na política eleitoral
Depois de deixar o Ministério Público e ganhar projeção pública, Alfredo passou a atuar diretamente na política partidária.
Sua trajetória eleitoral foi construída em Alagoas, onde conseguiu consolidar uma base ligada ao discurso de segurança, combate à corrupção e conservadorismo.
Em 2022, foi eleito deputado federal e terminou como o segundo candidato mais votado do estado para a Câmara dos Deputados.
A votação demonstrou força eleitoral e ampliou sua projeção dentro do Partido Liberal.
No Congresso, Alfredo passou a atuar em temas relacionados à segurança, à fiscalização do poder público e à defesa de grupos atingidos por fraudes e irregularidades.
Projeção na CPMI do INSS
Alfredo ganhou maior visibilidade nacional ao assumir a relatoria da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investigou fraudes em descontos aplicados sobre benefícios do INSS.
A comissão apurou cobranças indevidas realizadas contra aposentados e pensionistas, possíveis falhas de fiscalização e a atuação de associações envolvidas nos descontos.
Como relator, Alfredo passou a ocupar espaço frequente no debate público.
Sua atuação foi apresentada por aliados como uma defesa dos aposentados que tiveram valores retirados de seus benefícios sem autorização.
A comissão também fortaleceu sua imagem de parlamentar ligado ao enfrentamento da corrupção e à investigação de esquemas contra brasileiros vulneráveis.
Discurso em defesa dos aposentados
A relatoria da CPMI permitiu a Alfredo ampliar sua atuação para além da segurança pública.
Ele passou a ser associado também à proteção dos aposentados e pensionistas.
Para a campanha presidencial, esse elemento é importante porque aproxima o candidato a vice de um eleitorado numeroso e sensível a temas como previdência, fraudes, custo de vida e proteção social.
A chapa deverá utilizar a atuação de Alfredo na comissão para confrontar o governo Lula e responsabilizar autoridades por eventuais falhas na prevenção e no combate às fraudes do INSS.
Segundo deputado mais votado de Alagoas
A votação de Alfredo em 2022 mostrou que ele não era apenas um quadro técnico.
O deputado conseguiu transformar sua trajetória no Ministério Público e na segurança pública em capital eleitoral.
Ao terminar como o segundo mais votado de Alagoas para a Câmara, consolidou-se como uma das principais lideranças do PL no estado.
Essa força o levou a ser escolhido para disputar o Senado.
Alfredo aparecia em posição competitiva e, conforme as informações encaminhadas ao O Contribuinte, liderava levantamentos eleitorais recentes no estado.
Sua ida para a chapa presidencial representa, portanto, uma renúncia a uma candidatura considerada viável.
Candidatura ao Senado foi deixada de lado
Antes de ser escolhido por Flávio, Alfredo havia sido oficializado como candidato do PL ao Senado em Alagoas.
O estado elegerá dois senadores, e Alfredo aparecia como um dos favoritos.
Sua saída modifica completamente a disputa.
O PL deverá escolher outro nome para ocupar a candidatura estadual, mas dificilmente encontrará alguém com o mesmo nível de conhecimento público, estrutura e desempenho nas pesquisas.
A decisão beneficia diretamente os concorrentes que disputavam as duas vagas, especialmente Arthur Lira, do Progressistas, e Renan Calheiros, do MDB.
Esse impacto político será aprofundado em outra reportagem do O Contribuinte.
Por que Flávio escolheu Alfredo
A escolha reúne diferentes cálculos políticos.
O primeiro está relacionado à segurança pública.
Alfredo possui experiência no Ministério Público, no comando da Segurança Pública e no enfrentamento às organizações criminosas.
O segundo envolve o combate à corrupção.
Sua participação na CPMI do INSS permite à chapa sustentar um discurso de fiscalização e defesa dos aposentados.
O terceiro é regional.
Alfredo é nordestino e possui base eleitoral em Alagoas, região onde a direita enfrenta dificuldades para superar Lula e o PT.
Flávio tenta utilizar a origem de seu vice para ampliar a presença da campanha no Nordeste.
Um nome do próprio PL
Outro fator decisivo foi a falta de acordo com partidos aliados.
Flávio tentou construir uma chapa com uma mulher e com uma legenda de fora do PL.
Tereza Cristina chegou a aceitar o convite, mas o Progressistas manteve sua neutralidade.
Daniella Marques também foi cogitada, mas o Republicanos decidiu não assumir apoio presidencial nacional.
Sem conseguir uma aliança com outras legendas, Flávio optou por um nome interno.
A escolha de Alfredo evita novos impasses partidários e garante maior controle da chapa pelo PL.
Perfil conservador
Alfredo possui identificação com pautas conservadoras e com o discurso de endurecimento no combate à criminalidade.
Esse perfil o aproxima do eleitorado de Jair Bolsonaro e da base mais fiel do Partido Liberal.
Sua escolha não provoca ruptura ideológica dentro da chapa.
Ao contrário, reforça a identidade de direita e a defesa de uma agenda de segurança, combate ao crime e fortalecimento das instituições policiais.
O desafio será ampliar essa mensagem para eleitores que não pertencem ao núcleo tradicional do bolsonarismo.
O desafio do eleitorado feminino
Flávio passou semanas buscando uma mulher para a Vice-Presidência.
A estratégia tinha como objetivo ampliar a presença da chapa entre as eleitoras e reduzir resistências enfrentadas pelo bolsonarismo nesse segmento.
Com Alfredo, essa tentativa foi abandonada.
O candidato a vice terá de ajudar a campanha a construir propostas e discursos capazes de dialogar com as mulheres, mesmo sem representar diretamente a presença feminina na chapa.
Esse será um dos principais desafios eleitorais da composição.
Alfredo não possui projeção nacional consolidada
Apesar da experiência, Alfredo ainda não possui o mesmo nível de conhecimento nacional de Tereza Cristina, Michelle Bolsonaro ou outras lideranças cogitadas.
Sua projeção aumentou com a CPMI do INSS, mas permanece mais forte em Alagoas e entre setores ligados à segurança pública e ao Congresso.
A campanha precisará apresentá-lo ao eleitor brasileiro.
Isso envolve transformar sua trajetória jurídica em uma narrativa acessível, mostrar seus resultados e explicar por que ele foi escolhido para ocupar um cargo de dimensão nacional.
Vantagens da escolha
A presença de Alfredo oferece alguns ganhos imediatos para Flávio:
reforça o discurso de segurança pública;
acrescenta experiência jurídica à chapa;
associa a candidatura ao combate às organizações criminosas;
permite explorar a CPMI do INSS;
dá representação nordestina à composição;
e evita dependência de outro partido.
São vantagens importantes, especialmente diante do isolamento partidário enfrentado pelo PL.
Limitações políticas
A escolha também possui limitações.
Alfredo não traz uma nova legenda para a campanha.
Não amplia diretamente a presença feminina.
Não possui a mesma ligação com o agronegócio que Tereza Cristina.
E sua capacidade de transferir votos para Flávio fora de Alagoas ainda precisará ser demonstrada.
Também existe o risco de que sua saída da disputa ao Senado beneficie adversários e fortaleça grupos políticos que não apoiam a candidatura presidencial do PL.
De Alagoas para o Brasil
Alfredo Gaspar deixa uma candidatura competitiva ao Senado para tentar chegar à Vice-Presidência da República.
Sua trajetória reúne experiência jurídica, atuação no Executivo, passagem pelo Ministério Público e mandato parlamentar.
Flávio aposta que esse currículo será suficiente para transformar um político ainda pouco conhecido nacionalmente em um dos principais nomes da campanha.
A partir de agora, Alfredo precisará demonstrar que sua experiência em Alagoas, no Ministério Público e na CPMI do INSS pode ser convertida em um projeto nacional.
É esse o desafio do novo candidato a vice-presidente do Partido Liberal.