Segundo o Ministério Público, Rossana Paroschi Jafar, Heyder Bartz e Francisco Anízio dos Santos exerciam funções centrais na condução administrativa e financeira da Editora Avante, empresa apontada como principal instrumento do suposto esquema criminoso.
Depois de quase três anos de investigação, centenas de páginas de documentos, quebras de sigilos bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos e dezenas de mandados judiciais, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul chegou a uma conclusão sobre quem estaria no topo da estrutura da organização criminosa investigada na Operação Gutenberg.
Na denúncia apresentada à Justiça, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) afirma que o comando da suposta organização criminosa não estava concentrado em apenas uma pessoa, mas em um núcleo formado por Rossana Paroschi Jafar, Heyder Bartz e Francisco Anízio dos Santos.
Segundo a acusação, eram eles que concentravam as principais decisões administrativas e financeiras relacionadas à Editora Avante, empresa apontada pelo Ministério Público como o principal instrumento utilizado para viabilizar o suposto esquema investigado.
Rossana aparece como principal liderança
Entre os três investigados, a denúncia descreve Rossana Paroschi Jafar como a figura central da organização.
As investigações apontam que, após a morte de Mirched Jafar Júnior, em abril de 2021, a estrutura anteriormente ligada à Gráfica e Editora Alvorada teria passado por uma reorganização.
Poucos meses depois, surgiu a Editora Avante, registrada em nome de Rhayane Souza Fanaia, empresa recém-criada, com capital social de R$ 40 mil e que rapidamente passou a celebrar contratos milionários com municípios sul-mato-grossenses. Essas circunstâncias chamaram a atenção dos investigadores e motivaram o aprofundamento das apurações.
Segundo o Ministério Público, a partir das quebras de sigilo e da análise das mensagens, Rossana passou a aparecer como a pessoa que tomava as decisões estratégicas da organização.
Na avaliação do Gaeco, era dela a palavra final sobre questões financeiras, divisão de recursos e condução dos negócios investigados.

Heyder seria responsável pela estratégia
Já o empresário Heyder Bartz, atualmente o único investigado considerado foragido na operação, é apontado pelo Ministério Público como integrante do mesmo núcleo de comando.
Segundo a denúncia, ele participava da gestão estratégica da organização, incluindo a definição de pagamentos e da distribuição dos recursos obtidos com os contratos investigados.
O Gaeco afirma que sua participação aparece de forma recorrente nas mensagens obtidas durante a investigação, reforçando, segundo o Ministério Público, sua atuação nas decisões da organização. Também por isso, foi incluído entre os líderes da suposta organização criminosa.

Anízio seria o elo operacional da estrutura
O terceiro nome apontado pelo Ministério Público é o empresário Francisco Anízio dos Santos.
Embora possua empresas nos ramos de locação de veículos, engenharia e serviços automotivos, a denúncia afirma que Anízio exercia papel decisivo na operacionalização financeira da Editora Avante.
As investigações apontam que seu nome aparece repetidamente em movimentações bancárias, autorizações financeiras, contatos relacionados às contas da empresa e tratativas envolvendo Rhayane Souza Fanaia.
Segundo o Gaeco, Rhayane recorria a Anízio para resolver questões bancárias da editora, enquanto ele teria acesso às contas, aplicativos bancários e movimentações financeiras da empresa, circunstâncias que levaram os investigadores a concluir que exercia função operacional estratégica dentro da estrutura investigada.
“Atuação decisiva para todo o esquema criminoso”
Um dos trechos mais contundentes da denúncia resume a conclusão alcançada pelo Ministério Público.
“Ao lado de Rossana Paroschi Jafar, vê-se a atuação de Heyder Bartz e Francisco Anízio dos Santos como decisivos para todo o esquema criminoso, pelo que foram identificados como líderes da organização criminosa voltada à prática de fraude em licitações, lavagem de capitais, entre outros delitos correlatos, valendo-se da Editora Avante para tanto.”
A partir dessa conclusão, o Ministério Público estruturou sua denúncia apontando os três como integrantes do núcleo de comando da suposta organização criminosa.

Abaixo do núcleo de comando
A denúncia também descreve uma divisão de funções entre os demais investigados.
Segundo o Ministério Público, enquanto Rossana, Heyder e Anízio concentrariam as decisões estratégicas, outros integrantes desempenhariam funções específicas, como intermediação comercial, operacionalização de contratos, movimentações financeiras, contatos com agentes públicos e execução das atividades necessárias para manter o funcionamento da estrutura investigada.
Essa divisão de tarefas é um dos elementos utilizados pelo Gaeco para sustentar a acusação de existência de uma organização criminosa estruturada.
O que é a Operação Gutenberg?
Deflagrada em 7 de julho de 2026, a Operação Gutenberg investiga um suposto esquema que, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, movimentou aproximadamente R$ 27 milhões entre 2022 e 2024.
De acordo com a denúncia, a organização utilizaria contratos para fornecimento de livros paradidáticos a municípios sul-mato-grossenses, celebrados, em diversos casos, por inexigibilidade de licitação. A investigação também sustenta que integrantes do grupo teriam usado a estrutura da regulação estadual da saúde como instrumento de pressão sobre gestores municipais, condicionando a liberação de exames, consultas, cirurgias e leitos hospitalares à contratação da Editora Avante.
O Ministério Público afirma ainda que o grupo fornecia orientação técnica para elaboração de estudos preliminares, pareceres jurídicos e demais documentos destinados às contratações públicas. As conclusões apresentadas na denúncia refletem a linha investigativa do Gaeco e serão submetidas ao contraditório, à ampla defesa e ao julgamento do Poder Judiciário.