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Rápidos para criticar adversários, silenciosos com os aliados? Petistas de MS evitam comentar operação contra Jaques Wagner

Enquanto a direção nacional do PT saiu em defesa de Jaques Wagner, lideranças sul-mato-grossenses mantiveram publicações sobre agendas políticas e pré-campanhas no interior do Estado.

A operação da Polícia Federal que colocou o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado e um dos aliados mais próximos do presidente da República, no centro de uma investigação envolvendo supostas vantagens indevidas, movimentou Brasília e provocou reação imediata da direção nacional do Partido dos Trabalhadores. Em Mato Grosso do Sul, porém, o cenário foi diferente.

Até o fim da manhã desta quinta-feira (18), os principais nomes do PT sul-mato-grossense não haviam se manifestado publicamente nas redes sociais sobre a operação que atingiu uma das figuras mais influentes do partido em nível nacional.

O silêncio chama atenção porque a investigação envolve um dos principais articuladores políticos do governo Lula no Congresso Nacional. Relatórios da Polícia Federal citam suspeitas relacionadas a um apartamento de luxo avaliado em aproximadamente R$ 2,4 milhões, supostos benefícios atribuídos ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, além da apreensão de valores em moeda estrangeira durante a operação.

Jaques Wagner nega irregularidades e, até o momento, não há denúncia ou condenação contra o senador. As investigações seguem em andamento.

Enquanto o presidente nacional do PT, Edinho Silva, saiu publicamente em defesa do parlamentar e declarou confiar que Wagner comprovará sua inocência, lideranças petistas de Mato Grosso do Sul optaram por não comentar o caso.

Nas redes sociais, a deputada federal Camila Jara (PT) manteve publicações relacionadas a agendas políticas e atividades parlamentares. O deputado federal Vander Loubet (PT), apontado como pré-candidato ao Senado em 2026, também não fez manifestações sobre a operação envolvendo o líder do governo Lula.

O mesmo ocorreu com outras lideranças petistas do Estado, que concentraram suas publicações em agendas partidárias, visitas ao interior e articulações políticas voltadas às eleições do próximo ano.

Nos bastidores, o PT sul-mato-grossense está mobilizado em atividades regionais, incluindo movimentações ligadas ao projeto eleitoral do ex-deputado federal Fábio Trad, nome do partido para a disputa ao Governo do Estado

A ausência de manifestações públicas também contrasta com posicionamentos adotados por setores do partido em outras ocasiões envolvendo investigações contra figuras da direita. Em episódios anteriores, lideranças petistas utilizaram as redes sociais para comentar operações policiais, decisões judiciais e denúncias envolvendo adversários políticos, incluindo críticas direcionadas ao senador Flávio Bolsonaro e outros expoentes conservadores.

Desta vez, porém, diante de uma operação que atingiu diretamente o líder do governo Lula no Senado e um dos políticos mais influentes do PT nacional, prevaleceu a cautela.

O comportamento é acompanhado de perto por aliados e adversários políticos, especialmente porque Jaques Wagner ocupa posição estratégica dentro do governo federal e é considerado um dos principais interlocutores do presidente Lula junto ao Congresso Nacional.

Enquanto a direção nacional do PT atua para defender publicamente o senador, em Mato Grosso do Sul o partido, ao menos por enquanto, escolheu o silêncio.