Sem mandato, Neno Razuk perde foro privilegiado em meio à investigação da Operação Sucessione
A composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) pode sofrer uma nova mudança política nas próximas semanas após decisão da Justiça Eleitoral que determinou a retotalização dos votos do Partido Liberal (PL) nas eleições de 2022.
A medida ocorre após a condenação do casal bolsonarista Loester Trutis e Raquelle Trutis por irregularidades relacionadas a gastos ilícitos de campanha. Com isso, os votos atribuídos a Raquelle devem ser retirados da contagem oficial, alterando o quociente eleitoral da legenda.
Caso o novo cálculo seja confirmado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), o PL perderá uma das três cadeiras conquistadas na Assembleia, afetando diretamente o mandato do deputado estadual Neno Razuk.
A vaga passaria para o PSDB, que deve ampliar sua bancada com o retorno do atual diretor-presidente do Detran-MS, João César Matto Grosso, primeiro suplente da legenda.
Nas eleições de 2022, o PL somou 132.945 votos válidos e garantiu três assentos no Parlamento estadual. Entretanto, com a exclusão dos 10.782 votos obtidos por Raquelle Trutis, a legenda pode não alcançar mais o número necessário para manter a terceira cadeira.
O presidente estadual do PSDB e deputado estadual Pedro Caravina confirmou ao O Contribuinte que o partido acompanha a recontagem com expectativa positiva.
“Pelas contas realizadas, o PSDB vai ganhar, sim”, afirmou.
Se a mudança for oficializada, João César Matto Grosso retorna ao Legislativo estadual após já ter ocupado cadeira na Alems durante o período em que Caravina atuou como secretário de Governo no início da gestão do governador Eduardo Riedel.
A possível ampliação da bancada também é vista internamente como um reforço político para os tucanos, que sofreram baixas recentes após a janela partidária deste ano e ficaram com apenas três parlamentares.
“Ainda não fui notificado. Acredito que isso poderá acontecer a partir de quinta-feira, depois da retotalização dos votos”, declarou JC Matto Grosso à reportagem.
Além da mudança política na Assembleia, a possível saída de Neno Razuk também pode gerar impactos jurídicos relevantes.
O parlamentar responde a processo ligado à Operação Sucessione, investigação conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) sobre disputa de território envolvendo o jogo do bicho em Campo Grande.
Neno foi denunciado pelo MPMS como suposto líder do esquema criminoso, embora o pedido de prisão contra ele tenha sido negado até o momento.
Sem mandato parlamentar, o deputado perde o foro privilegiado, o que pode alterar o andamento processual do caso e permitir eventual decretação de prisão sem necessidade de autorização prévia da Assembleia Legislativa.
A investigação já resultou na prisão do pai e dos dois irmãos do parlamentar durante a quarta fase da operação, deflagrada em novembro do ano passado. O patriarca da família atualmente cumpre prisão domiciliar após a defesa apresentar laudos que apontam problemas de saúde.
Agora, a expectativa gira em torno da análise final do TRE-MS, que deverá oficializar a nova retotalização dos votos e definir se haverá, de fato, mudança na composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.