Evento do PL marca mudança de tom e alinhamento ao projeto nacional
O evento de filiação do Partido Liberal (PL), realizado nesta segunda-feira, 30, em Campo Grande, não marcou apenas a união de lideranças políticas. Também evidenciou uma mudança de postura — e de discurso — de duas das principais figuras políticas de Mato Grosso do Sul: Eduardo Riedel e Reinaldo Azambuja.
Durante suas falas, ambos surpreenderam até mesmo aliados mais próximos ao adotarem um tom fortemente alinhado ao bolsonarismo e ao projeto nacional do PL.
A sinalização foi clara: o grupo político sul-mato-grossense não apenas dialoga com a direita — agora passa a se posicionar diretamente dentro dela.
Prioridade: eleger Flávio Bolsonaro
O ponto central dos discursos foi o apoio explícito à candidatura do senador Flávio Bolsonaro, tratada como prioridade absoluta no Estado.
Eduardo Riedel afirmou que vê em Flávio um nome preparado, destacando reuniões recentes e o que classificou como capacidade de articulação nacional do senador.
Já Reinaldo Azambuja foi além: pediu engajamento direto de todo o grupo político, incluindo pré-candidatos e lideranças presentes no evento.
A leitura é de alinhamento total com o projeto nacional do PL.
Discurso endurece contra o PT e o governo Lula
Outro eixo forte das falas foi o tom antipetista.
Reinaldo Azambuja afirmou que o Brasil vive um ciclo de mais de 18 anos sob influência do Partido dos Trabalhadores, criticando o que classificou como uso da máquina pública para manutenção de poder.

O ex-governador também direcionou críticas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva, citando:
Alta carga tributária
Necessidade de reforma no Judiciário
Suposta proximidade entre governo e Poder Judiciário
A fala marca uma inflexão relevante no discurso de Azambuja, historicamente associado a uma postura mais pragmática.
Na mesma linha, Eduardo Riedel adotou um discurso crítico ao atual cenário nacional, reforçando a necessidade de mudanças e defendendo um projeto alternativo para o país.
Durante o evento, Azambuja fez uma projeção ambiciosa:
Segundo ele, se em 2022 Mato Grosso do Sul teve um cenário de 60% para a direita contra 40% para a esquerda, o novo arranjo político pode levar o Estado a um patamar de 75% contra 25%.
A declaração reforça a estratégia de consolidar uma base ampla e dominante no campo conservador.
União improvável fortalece projeto
O discurso mais ideológico veio acompanhado de um movimento prático: a união de lideranças que antes estavam em lados opostos.

No mesmo palanque estiveram nomes como Capitão Contar, que enfrentou Riedel em 2022, além de Rafael Tavares, crítico do grupo no passado.
Também marcaram presença lideranças como:
Rodolfo Nogueira
Coronel David
Tereza Cristina
Beto Pereira
Epaminondas Neto, o Papy
Além de nomes vindos de outros espectros políticos, como Lucas de Lima, ex-PDT, e figuras com histórico no PSDB.
A cena reforça o principal ativo do evento: a construção de uma frente ampla dentro da direita.
Senado vira peça-chave na estratégia
O alinhamento político também passa pela disputa ao Senado, tratada como estratégica.
Hoje, três nomes seguem no páreo dentro do PL:
Capitão Contar
Gianni Nogueira
Marcos Pollon

Nos bastidores, o acordo entre Reinaldo Azambuja e Valdemar Costa Neto prevê que a escolha da segunda vaga será feita com base em pesquisas.
A tendência é que a definição ocorra apenas durante a pré-campanha, mantendo o partido mobilizado e evitando divisões internas.
Mudança de posicionamento
O que se viu no evento foi mais do que articulação política: foi uma mudança clara de posicionamento.
Ao adotarem um discurso alinhado ao bolsonarismo, Eduardo Riedel e Reinaldo Azambuja deixam de atuar apenas como lideranças regionais e passam a integrar, de forma mais explícita, um projeto político nacional.