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Rogério Marinho entra na disputa pelo comando do Senado e articula união da direita contra Alcolumbre

Senador do PL defende equilíbrio entre os Poderes, critica a falta de independência do Congresso e sinaliza entendimento futuro com Tereza Cristina.

A disputa pela presidência do Senado Federal começou a ganhar novos contornos nesta quarta-feira (4). O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e ex-coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, anunciou sua pré-candidatura ao comando da Casa e deixou claro que pretende trabalhar para mudar os rumos do Congresso Nacional.

Em coletiva de imprensa, Marinho defendeu que o Senado recupere sua independência e deixe de atuar, em sua avaliação, como uma extensão do governo federal.

“Hoje, demos o primeiro passo para devolver o Senado ao seu lugar. Vamos trabalhar para que o Senado volte a ser a Casa da moderação, da ponderação e da independência entre os Poderes”, declarou.

O senador também mandou um recado sobre o papel que espera do Legislativo.

“Não podemos ser carimbadores de projetos, nem uma extensão do Executivo. Vamos resgatar as nossas prerrogativas, o equilíbrio entre os Poderes e a normalidade democrática.”

A movimentação coloca Marinho como um dos principais nomes da direita na disputa contra a reeleição do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Tereza Cristina também está no jogo

Um dos assuntos abordados durante a coletiva foi a pré-candidatura da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também pretende disputar a presidência do Senado.

Questionado sobre a possibilidade de uma divisão no campo da direita, Marinho descartou qualquer rompimento e afirmou que ambos estão conversando.

“A Tereza tem toda a legitimidade de ser candidata. Nós conversamos hoje pela manhã. Ela certamente vai viabilizar sua candidatura, como nós estamos fazendo aqui, igual ao atual presidente está fazendo.”

Marinho também sinalizou que a disputa entre os dois não deverá chegar às urnas como um confronto entre representantes do mesmo campo político.

“No momento oportuno, pelo nosso acerto entre nós, nós vamos convergir, porque estamos do mesmo lado, defendemos as mesmas coisas, as mesmas bandeiras e acreditamos que é necessário que haja uma mudança na presidência do Congresso Nacional. Oportunamente, estaremos juntos.”

Direita terá que definir seu representante

Apesar das duas pré-candidaturas, o cenário apresentado por Marinho aponta para uma negociação que deverá levar em consideração a capacidade de conquistar votos entre os senadores.

De um lado, Rogério Marinho busca consolidar o apoio do PL e de parlamentares da oposição. Do outro, Tereza Cristina tenta ampliar suas articulações, inclusive fora de seu partido.

O desafio será transformar a intenção de mudança em votos suficientes para enfrentar Davi Alcolumbre, que também trabalha por sua permanência no cargo.

Por enquanto, Marinho e Tereza mantêm suas pré-candidaturas, mas o discurso dos dois aponta para uma mesma direção: evitar que a direita chegue dividida à eleição para o comando do Senado.

A decisão sobre quem representará esse campo político ainda está em aberto.