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Rússia volta a ameaçar o mundo com guerra nuclear

Tensão global reacende alerta nuclear em meio à guerra na Ucrânia

A escalada das tensões na guerra entre Rússia e Ucrânia atingiu um novo e perigoso patamar nos últimos dias. O Kremlin, através de autoridades de alto escalão, voltou a ameaçar o uso de armas nucleares caso a Ucrânia avance sobre territórios que a Rússia considera como parte de seu território soberano — mesmo que a comunidade internacional não reconheça essas anexações.

A retórica foi reforçada após declarações do ex-presidente e atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev. Ele alertou que, se a Ucrânia utilizar armamentos ocidentais para atacar regiões como Donetsk, Luhansk, Kherson ou Zaporizhzhia — áreas que a Rússia anexou ilegalmente —, Moscou poderá considerar o uso de “armas nucleares táticas” como resposta.

A doutrina nuclear russa

A doutrina militar da Rússia prevê o uso de armas nucleares em situações onde a existência do Estado esteja ameaçada, mesmo que o ataque inicial seja com armamentos convencionais. Isso dá margem para interpretações perigosas por parte da liderança russa.

Nos últimos anos, autoridades como o próprio Vladimir Putin e Dmitry Medvedev vêm utilizando a ameaça nuclear como ferramenta de dissuasão, especialmente diante do crescente apoio militar do Ocidente à Ucrânia.

A retórica tem aumentado desde 2022, mas agora, em 2025, ela volta a ganhar força com o avanço ucraniano sobre territórios ocupados.

Qual o tamanho do arsenal nuclear da Rússia?

Segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), a Rússia possui o maior arsenal nuclear do mundo. Os números estimados são:

  • Total de ogivas nucleares: cerca de 5.580
  • Ogivas ativas (prontas para uso imediato): aproximadamente 1.710
  • Ogivas armazenadas ou aguardando desmantelamento: cerca de 3.870

Além disso, a Rússia mantém sistemas de lançamento por terra, mar e ar, compondo sua chamada “tríade nuclear”:

  • ICBMs (mísseis balísticos intercontinentais): centenas de unidades capazes de atingir alvos a mais de 10 mil km.
  • Submarinos nucleares (SSBNs): equipados com mísseis balísticos SLBMs, que garantem a capacidade de segundo ataque.
  • Aviões estratégicos: como os bombardeiros Tu-95 e Tu-160, que podem transportar ogivas nucleares de longo alcance.

Ameaça real ou estratégia de intimidação?

Analistas internacionais acreditam que, embora a ameaça seja grave, o uso de armas nucleares pela Rússia ainda é improvável. O objetivo principal dessas declarações seria intimidar o Ocidente e a Ucrânia, tentando frear o envio de armas e conter o avanço ucraniano.

No entanto, qualquer erro de cálculo ou incidente em campo pode escalar a situação rapidamente. Especialistas alertam que uma retórica constante sobre o uso de armas nucleares, mesmo que não se concretize, já altera o equilíbrio geopolítico e aumenta o risco de acidentes ou mal-entendidos diplomáticos.

Reação internacional

A OTAN e os EUA responderam às ameaças com cautela, afirmando que levam “muito a sério” qualquer menção ao uso de armas nucleares. O governo americano reforçou que o uso de armamentos nucleares por parte da Rússia teria “consequências catastróficas” para Moscou.

A comunidade internacional também tem aumentado a vigilância sobre movimentações militares russas, principalmente quanto à movimentação de ogivas nucleares táticas para regiões próximas ao conflito.