O salário mínimo deverá passar dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.741 em 2027, segundo projeção confirmada nesta segunda-feira (24) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.
O novo valor representa um aumento de R$ 120, equivalente a 7,4%. A previsão será incluída no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que o governo deverá encaminhar ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto.
Apesar da nova estimativa, os R$ 1.741 ainda não são o valor definitivo. O número poderá sofrer alteração até o fim do ano, principalmente por causa da inflação acumulada até novembro.
A projeção atual ficou R$ 24 acima do valor de R$ 1.717 que havia sido previsto pelo governo em abril, durante a apresentação da Lei de Diretrizes Orçamentárias.
Como é calculado
Pela regra atual, o reajuste do salário mínimo considera a inflação medida pelo INPC acumulada em 12 meses até novembro, somada ao crescimento da economia registrado dois anos antes.
Para 2027, a estimativa considera inflação de 4,93% e crescimento de 2,3% do PIB registrado em 2025. A regra também prevê ganho real, dentro dos limites estabelecidos pelo arcabouço fiscal.
Se confirmado, o reajuste representará ganho acima da inflação para trabalhadores que recebem o piso nacional.
Impacto para aposentados e benefícios sociais
A mudança não afeta apenas quem recebe salário mínimo como remuneração.
O piso também serve de referência para diversos benefícios previdenciários e assistenciais, incluindo aposentadorias e benefícios vinculados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O aumento, portanto, provoca impacto direto nas contas públicas.
Segundo estimativas do governo, cada R$ 1 de aumento no salário mínimo representa aproximadamente R$ 413,2 milhões em despesas adicionais. Com o reajuste projetado para 2027, a pressão extra sobre as despesas obrigatórias deve chegar a cerca de R$ 9,9 bilhões.
Governo defende ganho real
Dario Durigan afirmou que a política de valorização do salário mínimo faz parte da estratégia do governo de garantir aumento real de renda para trabalhadores e beneficiários de menor renda.
O ministro também aproveitou o anúncio para fazer críticas à política econômica adotada durante o governo anterior, citando discussões sobre a possibilidade de desvinculação do salário mínimo de benefícios previdenciários e sociais.
O valor definitivo, no entanto, só será conhecido no fim de 2026, depois da divulgação do INPC de novembro.
Se a projeção atual for confirmada, o novo salário mínimo começa a valer em janeiro de 2027.