Após faltar à reunião com vereadores, secretária Márcia Hokama é alvo de requerimento e críticas na Câmara
A ausência da secretária municipal de Finanças e Planejamento de Campo Grande, Márcia Hokama, em uma reunião convocada pela Câmara Municipal na manhã desta quinta, 6, gerou forte reação entre os vereadores. A secretária, que havia sido convidada para prestar esclarecimentos sobre temas relacionados à execução orçamentária e às finanças do município, enviou apenas um representante, atitude que foi interpretada por parlamentares como um gesto de desrespeito ao Legislativo.
O episódio motivou a vereadora Ana Portela (PL) a apresentar um requerimento de convocação para que a secretária compareça pessoalmente à Câmara. Segundo Ana Portela, a ausência da titular da pasta em um momento de grande importância para o debate público sobre as contas do município é “inadmissível” e fere a relação de transparência que deve existir entre o Executivo e o Legislativo.
O ex-presidente da Câmara, vereador Carlos Augusto Borges (PSB), o Carlão, também reagiu com dureza. Durante a sessão, ele classificou a postura da secretária como “um ato de desrespeito” com o Parlamento. “Quando um secretário deixa de comparecer e ainda envia um representante, demonstra que não valoriza a Casa do Povo. Isso é, sim, uma falta de consideração com os vereadores e com a população de Campo Grande”, disparou Carlão.
O tom das críticas se intensificou quando até mesmo integrantes da base da prefeita Adriane Lopes (PP) evitaram defender a secretária. O vereador professor Riverton (PP), aliado da prefeita, surpreendeu ao pedir a exoneração de Márcia Hokama. Segundo ele, a prefeita deveria “reavaliar” a permanência da secretária no cargo, já que sua ausência diante dos vereadores “criou um desgaste desnecessário” e demonstrou falta de diálogo com o Legislativo.
O episódio é visto como um novo capítulo de tensão entre o Executivo e a Câmara Municipal, em um momento em que os parlamentares cobram mais transparência e presença dos secretários municipais nas discussões sobre os rumos da cidade.
Presidente da Câmara critica ausência de Márcia Hokama e cobra ação imediata da secretária de Finanças
O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Epaminondas Neto (PSDB), o Papy, lamentou duramente a ausência da secretária municipal de Finanças e Planejamento, Márcia Hokama, em reunião com os vereadores nesta quarta-feira. Segundo o parlamentar, a expectativa era de que a gestora comparecesse pessoalmente para prestar esclarecimentos sobre os critérios de pagamento e a situação financeira do município.
Papy afirmou que a Câmara tentou evitar uma convocação pública para criar um ambiente mais político e amistoso, optando por um convite informal, mas nem isso foi atendido pela secretária.
“Lamentamos profundamente a ausência da secretária Márcia. O convite foi feito para que ela estivesse aqui num ambiente agradável, para dialogar com os vereadores, mas ela preferiu não vir. Justificou por meio do adjunto um problema de saúde e não questionamos isso, mas é um desrespeito com esta Casa, porque ela precisava ser ouvida”, disse o presidente.
De acordo com Papy, o principal tema da reunião era entender como a Secretaria de Finanças tem definido as prioridades de pagamento, já que algumas áreas estão sendo atendidas enquanto outras permanecem sem recursos. “Qual é o critério usado pela secretária na prioridade do que se paga? Será que a pessoa que morreu num acidente por causa de um buraco é menos importante do que outro pagamento determinado como prioridade?”, questionou.
O presidente elogiou o trabalho do secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Marcelo Miglioli, afirmando que o gestor “é uma unanimidade na Casa por seu trabalho técnico e político”. No entanto, destacou que até ele tem enfrentado dificuldades para dar continuidade a obras devido à falta de repasses e pagamentos travados pela Secretaria de Finanças.
Para o presidente da Câmara, a atual política de contenção de gastos e economia do Executivo tem deixado a cidade em situação preocupante. “O que vemos é uma expectativa muito vazia diante de um problema emergente que estamos enfrentando na cidade. A população precisa de respostas e de ações concretas agora”, concluiu.