Relatório está sob sigilo e foi enviado à PGR para análise
A Polícia Federal voltou a concluir que não há indícios de interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na corporação. É a segunda vez que o órgão chega ao mesmo entendimento, agora em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR).
A nova manifestação foi elaborada pelo delegado Carlos Henrique Pinheiro de Melo, que assumiu o caso após determinação do ministro Alexandre de Moraes para reavaliar o inquérito, em outubro de 2025. Mesmo com a reabertura, o resultado permaneceu inalterado: ausência de elementos que sustentem imputação penal contra Bolsonaro.
No relatório, o delegado destaca que a investigação analisou um período específico e inicial dos fatos, sem que, naquele momento, fossem identificadas condutas que configurassem crime.
Segundo ele, “sob a ótica das diligências tomadas em contemporaneidade com os fatos, não revelou informações capazes de justificar imputações penais”.
Pinheiro de Melo também rejeitou a tese da PGR de ampliar o escopo da apuração com base em fatos posteriores envolvendo alguns dos investigados. Para o delegado, utilizar elementos de outros inquéritos — inclusive aqueles que resultaram em condenações — não altera a conclusão sobre o caso específico da suposta interferência.
Origem da investigação
O inquérito teve início em 2020, após a saída do então ministro da Justiça Sergio Moro do governo Bolsonaro. Na ocasião, Moro acusou o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal, especialmente na troca do diretor-geral da instituição, Maurício Valeixo.
Moro apresentou mensagens e relatos como indícios da suposta pressão. O episódio gerou forte repercussão política e motivou a abertura da investigação.
Em 2022, a própria Polícia Federal já havia concluído pela inexistência de crime, levando ao arquivamento do caso. No entanto, em 2025, a PGR solicitou a reabertura do inquérito, argumentando que novos elementos — incluindo desdobramentos de outras investigações — justificariam uma análise mais ampla.
Novo relatório, mesma conclusão
Mesmo após a reavaliação determinada pelo STF, a Polícia Federal manteve sua posição técnica: não há comprovação de interferência de Bolsonaro na corporação.
O relatório foi enviado ao Supremo no dia 1º de abril e tramita sob sigilo. Caberá agora à Procuradoria-Geral da República analisar o material e decidir os próximos passos.
A repetição da conclusão pela própria Polícia Federal, mesmo após nova rodada investigativa, tende a impactar o andamento do caso dentro das instâncias superiores, especialmente diante da insistência em reabrir apurações já encerradas sem a apresentação de novos elementos concretos.