O vereador Rafael Tavares (PL) protocolou um ofício junto ao presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), desembargador Dorival Renato Pavan, pedindo providências contra o servidor Guilherme Henrique de Oliveira Bay, lotado no próprio tribunal.
A solicitação ocorreu após publicações feitas pelo servidor em redes sociais, onde ele escreveu ao vereador: “você vai cair. Eu tô te avisando” e “relaxa, você não vai durar muito tempo”. As mensagens foram interpretadas como ameaça direta à integridade física e política do parlamentar, que afirmou que registrará boletim de ocorrência.
No ofício nº 143/2025, encaminhado nesta quarta-feira (24), Rafael pede que o TJMS apure a conduta do servidor, destacando que tais declarações “atentam contra a integridade física e moral de um parlamentar democraticamente eleito” e configuram comportamento incompatível com a função pública.
Contexto político
A polêmica ganha ainda mais peso diante da trajetória do vereador Rafael Tavares, que já teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS) no início de 2024. Na época, o processo beneficiou o governador Eduardo Riedel (PP), uma vez que Rafael fazia parte da bancada independente na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Ele foi substituído por Paulo Duarte (PSB), parlamentar alinhado à base governista e com perfil político oposto ao combativo Tavares.
Esse histórico levanta dúvidas sobre o alcance das declarações de Guilherme Bay. Afinal, tratou-se de uma ameaça pessoal ou uma informação privilegiada, considerando que o servidor está lotado no Tribunal de Justiça — órgão que desempenha papel central em processos envolvendo políticos?
Questionamentos sobre o TJMS
O episódio chega em um momento delicado para o Judiciário sul-mato-grossense. O TJMS enfrenta crise de credibilidade após a Operação Último Ratio, que investiga desembargadores suspeitos de venda de sentenças. Nesse cenário, a conduta de servidores vinculados à Corte precisa ser ainda mais transparente e isenta de dúvidas.
A participação de um funcionário público do tribunal em polêmicas políticas, com insinuações de queda de mandato de um vereador, levanta questionamentos sérios sobre uso de informações internas e conduta ética.
O que se espera
Agora, o TJMS deve responder ao pedido de Rafael Tavares, esclarecendo se o servidor terá sua conduta investigada. A sociedade aguarda explicações não apenas sobre a motivação das mensagens, mas também sobre se houve ou não quebra de imparcialidade e uso indevido de informações institucionais.
Enquanto isso, o vereador cobra responsabilização e afirma que não se intimidará diante do que classificou como uma “ameaça explícita”.