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Sessão termina em confusão na Câmara após servidor da Prefeitura quebrar protesto contra buracos e ser retirado por guardas; Veja

Tumulto começou após comissionado quebrar maquete utilizada por comerciante em protesto contra os buracos de Campo Grande; audiência com secretário André Brandão acabou cancelada.

A manhã desta terça-feira (20) foi marcada por confusão, protestos e intervenção da Guarda Civil Metropolitana na Câmara Municipal de Campo Grande. O tumulto terminou com a retirada à força de um servidor comissionado da Prefeitura e o cancelamento da sessão que receberia o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Moura Brandão, conhecido como Andrezão.

O secretário já estava na Casa de Leis para prestar esclarecimentos aos vereadores sobre os serviços de tapa-buracos da Capital, assunto que ganhou ainda mais repercussão após a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar contratos e a execução dos trabalhos.

Entretanto, a sessão acabou interrompida antes que os esclarecimentos fossem realizados publicamente, após um confronto entre participantes que defendiam e criticavam a administração da prefeita Adriane Lopes (PP).

Servidor da Prefeitura quebra maquete de manifestante

A confusão começou durante uma manifestação do comerciante Gustavo Eifler, de 36 anos, que compareceu à Câmara levando uma maquete de isopor para representar os buracos encontrados nas ruas de Campo Grande.

O objeto, pintado para simular o asfalto deteriorado, foi utilizado como forma de protesto e cobrança por melhorias na infraestrutura urbana.

Durante a manifestação, Antônio de Jesus Charupá, identificado como servidor comissionado da Prefeitura e apoiador da gestão Adriane Lopes, quebrou a maquete apresentada pelo comerciante.

O episódio provocou tumulto no plenário, que estava ocupado por moradores, apoiadores da administração municipal e pessoas contrárias à gestão.

Papy determina retirada e guardas entram em ação

Diante da confusão, o presidente da Câmara Municipal, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), determinou que o servidor fosse retirado do plenário.

Guardas civis metropolitanos presentes no local tentaram cumprir a ordem, mas Antônio de Jesus resistiu inicialmente à retirada, permanecendo sentado em uma cadeira.

Após alguns minutos, o homem foi retirado pelos agentes, em uma cena que chamou a atenção dos presentes.

Com os ânimos exaltados e diante da impossibilidade de dar continuidade aos trabalhos, Papy decidiu encerrar a sessão.

O presidente da Câmara classificou o episódio como político e anunciou que uma nova audiência seria realizada com reforço na segurança.

“Isto foi um ato político, claramente. Vamos remarcar a vinda do André com um reforço maior na segurança”, declarou Papy.

Secretário estava na Câmara para explicar contratos e serviços

A presença do secretário André Brandão havia sido solicitada pelos próprios vereadores, que aprovaram sua convocação para prestar esclarecimentos sobre os serviços de manutenção das vias públicas.

O requerimento foi apresentado pelos vereadores Professor Riverton, Dr. Lívio, Carlos Augusto Borges, o Carlão, e pelo presidente Papy.

Entre os principais pontos que seriam abordados estavam os custos das operações de tapa-buracos, os contratos firmados pela Prefeitura, os prazos de execução e os critérios utilizados para definir os locais atendidos.

Antes da confusão, Papy havia informado que cada parlamentar poderia apresentar até duas perguntas ao secretário.

As explicações também poderiam contribuir para os trabalhos da CPI do Tapa-Buracos, instaurada para investigar os contratos e a execução dos serviços na Capital.

Após tumulto, secretário se reúne com vereadores a portas fechadas

Mesmo com o cancelamento da sessão pública, André Brandão permaneceu na Câmara Municipal.

Após o encerramento dos trabalhos, o secretário passou a se reunir com vereadores a portas fechadas, enquanto moradores que haviam comparecido para acompanhar os esclarecimentos ficaram sem a audiência pública prevista.

O episódio ocorreu justamente em um momento de questionamentos sobre as condições das ruas de Campo Grande e sobre a aplicação dos recursos destinados à manutenção do asfalto.

A audiência pública foi remarcada para a próxima terça-feira (27), quando o secretário deverá retornar à Câmara para responder aos questionamentos dos parlamentares.