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Sindicato é notificado pela Justiça para rodar ônibus mesmo sem pagamento do Consórcio Guaicurus

O Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande (STTCU-CG) confirmou que foi oficialmente notificado, no início da tarde desta segunda-feira (15), sobre a decisão da Justiça do Trabalho que determina a manutenção de 70% da força de trabalho durante a greve dos motoristas.

A paralisação teve início nas primeiras horas do dia e deixou Campo Grande sem ônibus circulando, após a categoria aprovar o movimento grevista em assembleia. Os trabalhadores reivindicam o pagamento do salário referente ao mês de novembro e do 13º salário, valores que seguem pendentes.

Segundo o presidente do sindicato, Demétrio Freitas, a notificação judicial ocorreu por volta das 13h. A partir disso, os trabalhadores passaram a discutir internamente os próximos passos, incluindo a possibilidade de retomada parcial do serviço.

Retorno imediato é considerado improvável

Apesar da determinação judicial, o sindicato avalia que a retomada ainda nesta segunda-feira é pouco provável. A principal dificuldade apontada é o curto prazo para mobilizar os trabalhadores, que haviam sido orientados a permanecer em casa.

“A decisão precisa ser cumprida, mas vamos avaliar coletivamente. Na assembleia, ficou definido que o retorno só ocorreria com o pagamento dos salários”, explicou Demétrio.

De acordo com o STTCU-CG, a categoria reúne cerca de 1,1 mil trabalhadores, entre eles aproximadamente 750 motoristas. Pela decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, cerca de 770 profissionais deveriam retomar as atividades para garantir o funcionamento mínimo do transporte coletivo.

A expectativa do sindicato é de que, caso haja concordância dos trabalhadores, a circulação parcial dos ônibus possa ser retomada apenas na madrugada de terça-feira (16).

Multa diária e audiência de conciliação

A decisão judicial foi proferida pelo desembargador do Trabalho Cesar Palumbo Fernandes ainda no domingo (14). No despacho, o magistrado destacou a essencialidade do transporte público e determinou que o sindicato se abstenha de promover ou tolerar paralisação superior a 30% da força de trabalho.

Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 20 mil, além da possibilidade de outras medidas coercitivas. Também foi agendada uma audiência de conciliação entre as partes para esta terça-feira (16), às 15h45, na sede do TRT da 24ª Região.

Consórcio confirma pagamento parcial e alega limitações financeiras

Na última sexta-feira (12), o Consórcio Guaicurus informou ter quitado metade dos salários em atraso. Em nota, a empresa alegou dificuldades financeiras e afirmou que as linhas de crédito disponíveis já estão comprometidas, o que impediria a obtenção imediata de novos recursos para o pagamento integral dos valores devidos.

Ainda segundo o consórcio, os recursos disponíveis foram direcionados prioritariamente à folha de pagamento e a despesas operacionais essenciais, como combustível e manutenção dos veículos, para viabilizar a circulação da frota.

Enquanto isso, passageiros seguem aguardando uma definição que permita a retomada do serviço, em meio ao impasse entre trabalhadores, empresas e o Judiciário.