A direção do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande (STTCU-CG) realiza, no final da tarde desta segunda-feira (15), uma reunião online para definir se a categoria irá cumprir a decisão judicial que determina a circulação de 70% da frota de ônibus ou se manterá a greve iniciada nesta manhã.
A reunião ocorre após o Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região determinar a manutenção mínima do serviço, sob pena de multa diária, diante da essencialidade do transporte coletivo. Apesar da decisão, a paralisação foi mantida ao longo do dia, deixando a Capital sem ônibus.
Expectativa é de manutenção da greve
Segundo o presidente do sindicato, Demétrio Freitas, a expectativa inicial é de que o serviço não seja retomado nem hoje e nem na manhã de terça-feira, mesmo com a liminar em vigor. A definição, no entanto, será tomada de forma coletiva pelos trabalhadores durante a reunião virtual.
“Vamos analisar certinho. Nós sabemos que existe a decisão judicial, mas a gente vai avaliar. Se tiver que continuar parado, vai continuar parado, independente de decisão judicial. É importante a gente receber”, afirmou Demétrio.
Pagamento segue como condição para retorno
A fala do dirigente reforça a posição já aprovada em assembleia pela categoria: o retorno ao trabalho está condicionado ao pagamento integral do salário atrasado e do 13º salário. Até o momento, o Consórcio Guaicurus efetuou apenas o pagamento parcial dos valores devidos.
Para o sindicato, a decisão judicial não resolve o problema central da paralisação, que é o atraso salarial. A avaliação é de que colocar os ônibus para rodar sem a regularização dos pagamentos significaria submeter os trabalhadores a mais um período de insegurança financeira.
Impasse aumenta tensão institucional
Caso o sindicato opte por manter a greve, o impasse pode se agravar, já que a decisão do TRT prevê multa diária e outras medidas coercitivas em caso de descumprimento. Ao mesmo tempo, a Prefeitura e a Justiça defendem a retomada do serviço por se tratar de atividade essencial, que afeta diretamente milhares de usuários.
A reunião do fim da tarde será decisiva para definir os próximos passos do movimento grevista e o futuro imediato do transporte coletivo em Campo Grande, em meio a um cenário de forte tensão entre trabalhadores, empresas, poder público e Judiciário.