Candidata do PL critica movimentos sem-terra e afirma ter independência para combater invasões de propriedade em Mato Grosso do Sul.
A candidata a deputada estadual Vivi Tobias (PL) voltou às redes sociais nesta quarta-feira (23) com mais uma ação de sua campanha marcada pelo enfrentamento ideológico. Desta vez, Vivi foi até uma área que identificou como ocupada por integrantes de movimentos sem-terra e prometeu combater invasões de propriedades caso seja eleita para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.
No vídeo, a candidata percorre o local, mostra barracas aparentemente vazias, lixo e uma bandeira da CUT (Central Única dos Trabalhadores).
Vivi questiona a ocupação e afirma que encontrou estruturas sem pessoas e sem sinais de produção no momento da gravação.
“Área invadida pelos sem-terra, não tem ninguém. Só querem ganhar fácil, ganhar terra sem trabalhar, sem produzir.”
Em seguida, mostra o cenário aos seguidores.
“Olha aqui, nada. Não tem nada aqui, vazio, tudo sujo, sujeira, não tem nada, sujeira e caos.”
As imagens mostram as condições encontradas por Vivi durante a gravação.
“Tem que acabar no nosso Estado”
Vivi adotou um dos discursos mais duros de sua campanha ao falar sobre o que pretende fazer em relação às ocupações caso conquiste uma cadeira na Assembleia.
“Quebrar tudo, desmontar. Isso aqui tem que acabar no nosso Estado.”
A candidata também afirmou:
“Por mim, onde eu for como deputada, a gente vai derrubar isso daqui.”
Vivi classificou os responsáveis pelas estruturas como pessoas que buscam conseguir terra “sem trabalhar” e “sem produzir”.
As expressões utilizadas no vídeo são da própria candidata.
Bandeira da CUT aparece no local
Durante a gravação, Vivi também encontra e mostra uma bandeira da CUT.
“Dá uma olhada nisso tudo. Bandeira da CUT.”
A presença do símbolo sindical foi incorporada pela candidata à narrativa política do vídeo, no qual associa as ocupações de terra ao campo da esquerda.
Vivi também menciona o MST posteriormente, ao apresentar aos eleitores o que considera serem dois projetos políticos distintos para o Brasil.
Propriedade privada e agro viram centro do discurso
A candidata colocou a defesa da propriedade privada como uma das principais justificativas para sua posição.
“A gente não pode ficar refém de vagabundo, invasor de propriedade privada.”
Na reta final da eleição, Vivi tenta estabelecer uma divisão clara entre as pautas que rejeita e aquelas que pretende representar na Assembleia Legislativa.
No vídeo, ela pergunta:
“Dia 4 de outubro é a sua decisão final. Qual o Brasil você quer?”
Em seguida, contrapõe aquilo que chama de “Brasil vermelho” ao “Brasil da bandeira verde e amarela”.
“O Brasil vermelho, da bandeira comunista, que deixa o MST forte, que invasores de terra têm liberdade de fazer o que querem contra nós, ou você quer o Brasil da bandeira verde e amarela, que deixa o agro forte, a liberdade em defender a sua família e a sua propriedade privada?”
A associação entre esses elementos e os campos políticos da eleição é feita pela própria candidata.
Campanha de enfrentamento
A publicação segue uma característica que Vivi Tobias decidiu imprimir à sua campanha: o confronto direto com pautas, movimentos e personagens políticos dos quais discorda.
Durante a caminhada eleitoral, Vivi colocou entre suas principais bandeiras a defesa da família, da propriedade privada, do agronegócio e de pautas conservadoras.
Também tem feito críticas à ideologia de gênero, à chamada agenda “woke”, ao comunismo e a movimentos identificados com a esquerda.
A estratégia não ficou restrita aos adversários partidários.
Dentro do próprio PL, Vivi passou a cobrar correligionários que não seguem integralmente a chapa apresentada pela legenda. O episódio mais conhecido ocorreu com o prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, depois que ele declarou apoio ao petista Vander Loubet para o Senado.
Vivi chegou a pedir sua expulsão do partido e posteriormente foi a Ivinhema, onde utilizou uma melancia para chamá-lo de “verde por fora e vermelho por dentro”.
Material de campanha foi alvo de decisão judicial
A postura ideológica de Vivi também já chegou à Justiça Eleitoral.
Recentemente, um material de sua campanha foi questionado judicialmente pelo candidato a deputado estadual Tiago Botelho (PT).
Conforme as informações fornecidas ao O Contribuinte, a peça apresentava bandeiras defendidas por Vivi e, em contraposição, símbolos e pautas rejeitados pela candidata, incluindo o símbolo do comunismo. Segundo o relato fornecido ao portal, o material não mencionava nominalmente o PT.
O caso foi analisado pelo juiz Fernando Dique Estrada, que determinou restrições à divulgação da peça após o questionamento apresentado à Justiça.
A campanha de Vivi sustenta que o conteúdo expressava as próprias posições ideológicas da candidata e que a decisão provocou prejuízo à distribuição do material eleitoral.
“Não tenho rabo preso”
Mesmo diante das controvérsias acumuladas durante a campanha, Vivi mantém a estratégia de apresentar sua candidatura como independente de acordos que possam limitar suas posições.
No vídeo desta quarta-feira, afirmou:
“Eu não tenho rabo preso com sistema nenhum. Tenho independência para combater isso aqui.”
E terminou a publicação novamente em tom duro:
“Vagabundo, terrorista, invasor de terra não vai crescer aqui no Mato Grosso do Sul.”
As expressões são da candidata.
A poucos dias da eleição, a nova publicação deixa evidente quais temas Vivi Tobias pretende colocar no centro da reta final de sua campanha: defesa da propriedade privada, fortalecimento do agronegócio e oposição às ocupações de terra e aos movimentos que associa à esquerda.
Veja o vídeo na íntegra: