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“Tive que pagar para trabalhar”: pais relatam prejuízos após paralisação na REME; veja

A paralisação dos professores da Rede Municipal de Ensino (REME), realizada nesta sexta-feira (12), provocou reflexos diretos na rotina de milhares de famílias campo-grandenses. Com cerca de 110 mil alunos matriculados nas 207 escolas e Centros de Educação Infantil Municipal (EMEIs) da Capital, muitos pais e responsáveis precisaram recorrer a familiares, vizinhos e até contratar cuidadores para conseguir manter suas atividades profissionais.

A reportagem de O Contribuinte ouviu pais e mães de diferentes regiões da cidade que relataram prejuízos financeiros, perda de renda e dificuldades para garantir a segurança dos filhos durante a suspensão das atividades escolares.

Embora a mobilização dos profissionais da educação seja considerada legítima por parte dos entrevistados, o principal questionamento das famílias diz respeito aos impactos causados pela paralisação em um dia útil, especialmente para trabalhadores que dependem da escola para conciliar emprego e cuidados com os filhos.

“Praticamente pagamos para trabalhar”

Moradores da região do Jardim Petrópolis, Roberson Alves e Kamilla Cristina tiveram que contratar uma babá para ficar com o filho, aluno da Escola Municipal Najib Raslan.

Segundo Roberson, a profissional cobrou R$ 120 pelo dia de trabalho.

“Não tinha outra opção. Nós dois precisávamos trabalhar e tivemos que pagar uma babá para ficar com nosso filho”, relatou.

A situação teve impacto ainda maior no orçamento familiar porque Kamilla trabalha com diárias. Segundo a família, ela recebe cerca de R$ 150 por dia trabalhado.

“Na prática, quase que trabalhamos apenas para pagar quem cuidasse dele. É uma situação muito complicada para quem vive do próprio trabalho”, afirmou.

Mãe perdeu expediente inteiro de trabalho

Na região da Coopatrabalho, a esteticista Sara Monteiro, mãe de um aluno da Escola Municipal Professora Hilda Ferreira de Souza, também enfrentou dificuldades.

Sem ter com quem deixar o filho durante a manhã, ela precisou cancelar atendimentos e abrir mão de parte da renda do dia.

“Eu tive que parar tudo pela manhã. Só vou conseguir trabalhar à tarde porque minha mãe conseguiu se organizar para ficar com ele”, contou à reportagem.

Para Sara, a principal preocupação foi a falta de tempo para se reorganizar diante da paralisação.

Avó precisou deixar compromissos para ajudar família

No Copavila II, a situação foi semelhante para a comerciária Angélica Arruda, mãe de um casal de filhos matriculados na Escola Municipal Aglair Maria Alves,.

Funcionária do comércio varejista no Centro da Capital, ela precisou recorrer à ajuda da família para conseguir cumprir a jornada de trabalho.

Segundo Angélica, a avó das crianças tiveram que alterar a própria rotina para assumir os cuidados dos netos durante a paralisação.

“Foi uma correria. Quem acaba absorvendo essa responsabilidade são os familiares, que também têm seus compromissos”, relatou.

“Os professores precisam ser valorizados, mas os pais também são afetados”

A diarista Shirley Alves Pereira, mãe de alunos atendidos pelo EMEI Dulce Coutrim, no Jardim Inapolis, procurou diretamente a reportagem de O Contribuinte para relatar sua situação.

Ela afirmou que respeita as reivindicações da categoria e reconhece a importância da valorização dos profissionais da educação, mas destacou que os efeitos das paralisações acabam recaindo diretamente sobre as famílias.

“Os professores precisam ser valorizados, isso ninguém discute. Mas quando acontece uma paralisação, quem também sofre são os pais e as crianças”, afirmou.

Shirley trabalha como diarista em três residências e informou que não conseguiu cumprir seus compromissos profissionais nesta sexta-feira. Ela é mãe solteira.

Ela também lembrou que os estudantes já enfrentaram diversas interrupções no calendário escolar nos últimos meses.

“Desde abril tivemos feriados prolongados.. As atividades chegam para fazer em casa, mas quem precisa trabalhar sabe como isso é difícil”, observou.

A manifestação é legítima, mas poderia ser em outro dia”

Próximo ao local onde ocorreu a mobilização dos profissionais de educação, a reportagem conversou com uma mãe de dois filhos matriculados no EMEI professora Iracema Barreto na região do Villa Nasser.

Ela relatou que precisou pedir ajuda a uma vizinha desempregada para cuidar das crianças durante o expediente.

Segundo a mãe, foi necessário oferecer uma ajuda de custo para garantir que os filhos permanecessem sob supervisão enquanto ela trabalhava em um escritório nas proximidades da Prefeitura.

“A manifestação é legítima e eles têm o direito de reivindicar. Mas eu acredito que poderia ser feita em um sábado ou em outro momento que não prejudicasse tantas famílias”, afirmou.

Movimento afetou toda a Rede Municipal

A paralisação foi aprovada em assembleia que reuniu aproximadamente 300 profissionais da educação e atingiu unidades da Rede Municipal de Ensino em diferentes regiões da cidade.

Campo Grande possui cerca de 8,9 mil professores na REME e aproximadamente 110 mil estudantes matriculados entre escolas e EMEIs.

O movimento ocorre em meio às discussões sobre o cumprimento do piso salarial da categoria e sobre os reajustes futuros do magistério municipal.

Dados divulgados pelo portal PEBSP apontam que Campo Grande possui atualmente o maior vencimento-base para professores municipais entre as capitais brasileiras. Ainda assim, representantes da categoria defendem a continuidade das negociações relacionadas ao Piso 20 horas e outras demandas salariais.

Enquanto o debate entre poder público e profissionais da educação segue em andamento, o impacto imediato da paralisação foi sentido dentro das casas de milhares de famílias que precisaram encontrar, de última hora, uma solução para garantir os cuidados com os filhos e manter a própria rotina de trabalho.

Veja mobilização: