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TJMS mantém condenação e “prefeito mais louco do Brasil” pode ficar inelegível

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) manteve, por unanimidade, a condenação do prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), conhecido como o “prefeito mais louco do Brasil”, por ameaça ao deputado estadual Renato Câmara (MDB). A decisão, publicada nesta semana, rejeitou os embargos de declaração apresentados pela defesa e deixou o gestor cada vez mais próximo de ficar inelegível.

A Seção Especial do TJMS entendeu que não havia omissão nem contradição na decisão anterior que condenou Ferro a um mês de serviços comunitários, após declarações ameaçadoras feitas durante um programa de rádio. No trecho que motivou a ação, o prefeito disse:

“A hora que ver que não der mais, você sabe o que acontece? Acabo com a minha vida e com a dele. Aí já resolve esse problema, que está encaminhando para isso, desse cabra.”

O relator do caso, desembargador Alexandre Corrêa Leite, destacou que a fala configurou ameaça real à vida do deputado, e não uma simples disputa política. “A promessa de dano injusto e o real sentimento de insegurança causado no ofendido restaram fartamente demonstrados pelas provas dos autos”, pontuou o magistrado.

Renato Câmara afirmou que precisou solicitar porte de arma e que sua família viveu dias de apreensão. O deputado lembrou que Ferro já respondia por outro processo envolvendo disparo de arma de fogo, o que reforçou o temor pelas ameaças.

Polêmicas em série e novo relacionamento exposto

A condenação judicial se soma a uma lista de polêmicas que fazem de Juliano Ferro um dos políticos mais controversos de Mato Grosso do Sul. Recentemente, o prefeito voltou aos holofotes não apenas por seus embates políticos, mas também pela vida pessoal: Ferro assumiu um relacionamento com a ex-namorada da vereadora douradense Isa Marcondes, conhecida como “a Cavala”. O caso repercutiu fortemente nos bastidores políticos do interior e ampliou o desgaste de sua imagem pública.

Além disso, Ferro coleciona brigas públicas com mulheres e declarações agressivas em entrevistas e redes sociais. Em um dos episódios mais recentes, atacou a vice-prefeita Ângela Casarotti Cardoso (PP) após ela se reunir com vereadores para tratar de repasses à saúde municipal.

“A atribuição de um vice é ficar na dele e esperar a ausência do prefeito, numa morte ou em caso de afastamento”, disse Ferro, em tom autoritário e desrespeitoso.

O prefeito também já atacou a ex-candidata a vereadora Cassy Monteiro (PL), afirmando que a “menina ainda não é ninguém na política”.

Risco de inelegibilidade e futuro político incerto

Com a condenação mantida, Juliano Ferro corre o risco de se tornar inelegível, o que poderia inviabilizar sua permanência na vida pública. A decisão do TJMS reforça o entendimento de que o foro especial era aplicável e que a pena, ainda que leve, confirma a existência do crime de ameaça.

Ferro, que já se autoproclamou o “prefeito mais louco do Brasil”, tem usado as redes sociais para tentar capitalizar suas polêmicas em popularidade, mas o desgaste político cresce na mesma proporção. Em Ivinhema, parte da população demonstra cansaço com o comportamento do gestor, que coleciona mais confusões do que realizações administrativas.