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Todos no mesmo lado: PL coloca ex-adversários, ex-tucanos e bolsonaristas no mesmo palanque

PL reúne adversários históricos e ex-tucanos em Campo Grande e redesenha o mapa político de MS

O evento de filiação do Partido Liberal (PL), realizado nesta segunda-feira (30) em Campo Grande, marcou um ponto de inflexão na política de Mato Grosso do Sul. Em um mesmo palanque, o partido conseguiu reunir lideranças que, até pouco tempo atrás, estavam em campos opostos, algumas delas protagonistas de embates eleitorais recentes.

Entre os exemplos mais simbólicos está Capitão Contar, que disputou o governo em 2022 contra Eduardo Riedel e agora integra o mesmo projeto político.

Mas as surpresas não pararam por aí.

Além da presença de figuras consideradas de centro, como Paulo Corrêa e Zé Teixeira, o evento também evidenciou a migração de nomes com trajetórias distintas. Um dos destaques foi o deputado estadual Lucas de Lima, que já integrou o PDT, partido tradicionalmente associado a outro campo político, e agora passa a compor o grupo liberal.

Outro movimento relevante foi a presença de lideranças com histórico no PSDB, partido de centro que dominou a política sul-mato-grossense por anos sob liderança de Reinaldo Azambuja  e que agora passam a integrar o PL, consolidando uma migração política que redesenha alianças no Estado.

Também estiveram no palanque nomes como Rafael Tavares, que já fez críticas ao grupo hoje aliado, além de Vivi Tobias e Sargento Bethânia.

O evento reuniu ainda o deputado federal Rodolfo Nogueira, o deputado estadual Coronel David, além de lideranças de outros partidos, como a senadora Tereza Cristina, o deputado federal Beto Pereira e o presidente da Câmara de Campo Grande, Epaminondas Neto, o Papy.

União que antes parecia impossível

A leitura política é clara: o PL conseguiu construir uma frente ampla dentro do campo da direita e do centro, algo que até recentemente parecia inviável.

O próprio Reinaldo Azambuja destacou o potencial desse movimento ao afirmar que o Estado pode ampliar sua inclinação à direita nas próximas eleições.

Projeto eleitoral ambicioso

Nos bastidores, a meta é eleger até oito deputados estaduais, três federais e garantir protagonismo no Senado, além de sustentar a reeleição de Eduardo Riedel.

Contar, Gianni Nogueira e Marcos Pollon seguem no páreo; decisão sobre segunda vaga deve ocorrer durante a pré-campanha

O evento deixou evidente que a disputa ao Senado dentro do partido está longe de uma definição — e deve ser resolvida apenas nos próximos meses, com base em pesquisas eleitorais.

Nos bastidores, o presidente estadual da sigla, Reinaldo Azambuja, firmou entendimento com o comando nacional do partido, liderado por Valdemar Costa Neto, de que a escolha dos candidatos será técnica e baseada em desempenho nas pesquisas.

Hoje, três nomes seguem no páreo pela segunda vaga ao Senado:

Capitão Contar

Gianni Nogueira

Marcos Pollon

Disputa segue aberta

A tendência é que o PL mantenha dois candidatos na chapa, mas a definição da segunda vaga deve ser construída ao longo da pré-campanha.

Caso não haja surpresas — como uma eventual saída de Gianni Nogueira ou Marcos Pollon, possibilidade que já foi ventilada nos bastidores —, os três devem disputar internamente espaço até os momentos finais.

Ambos, inclusive, já demonstraram insatisfação em momentos anteriores e chegaram a flertar com outras siglas, como o NOVO.

Critério técnico e estratégia política

A aposta do partido em pesquisas como critério de escolha revela uma estratégia pragmática: evitar rachas internos e garantir competitividade eleitoral.

Ao mesmo tempo, mantém todos os pré-candidatos mobilizados e engajados.

O resultado prático é uma disputa silenciosa — mas intensa — que deve se estender até a definição oficial das candidaturas.

PL-MS alinha discurso e transforma apoio a Flávio Bolsonaro em prioridade eleitoral

O ato de filiação do PL ultrapassou os limites da política estadual e deixou claro que Mato Grosso do Sul passa a ocupar um papel estratégico no cenário nacional.

Durante o evento, lideranças como Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel foram diretas ao defender apoio integral à candidatura do senador Flávio Bolsonaro.

O que se viu foi uma tentativa clara de construção de um bloco amplo, capaz de agregar diferentes correntes da direita e do centro.

O próprio Reinaldo Azambuja deixou evidente o objetivo: transformar a união em força eleitoral. Segundo ele, o Estado pode sair de um cenário de “60% direita contra 40% esquerda” em 2022 para algo próximo de 75% contra 25% nas próximas eleições.

Já Eduardo Riedel reforçou o tom de alinhamento e pediu engajamento total do grupo, especialmente em torno da candidatura do senador Flávio Bolsonaro, tratada como prioridade no Estado.

Alinhamento total

O discurso conjunto reforça uma convergência política que vai além das eleições locais e aponta para uma estratégia coordenada com o projeto nacional do PL.

A presença de lideranças de diferentes partidos e correntes ideológicas no mesmo palanque fortalece essa leitura.