Toffoli viajou para final da Libertadores com advogado de diretor do Banco Master dias antes de impor sigilo máximo ao processo
Novos dados revelados por jornalistas de Brasília levantaram questionamentos sobre a viagem do ministro Dias Toffoli ao Peru para assistir à final da Copa Libertadores. O voo, ocorrido no dia 28, foi realizado no mesmo jatinho particular utilizado pelo advogado Augusto de Arruda Botelho — defensor de um dos diretores do Banco Master, investigado no maior escândalo financeiro em curso no país.
Segundo informações divulgadas por Lauro Jardim, o voo partiu de São Paulo às 10h30. Horas depois, às 13h34, uma reclamação do Banco Master foi autuada no Supremo Tribunal Federal. Às 18h13 do mesmo dia, um relator foi sorteado — e o nome sorteado foi exatamente o de Dias Toffoli.
Após a partida, os dois retornaram no mesmo avião, já com Toffoli oficialmente designado relator do caso envolvendo o próprio cliente de Arruda Botelho.
Poucos dias depois, Toffoli determinou “sigilo máximo” no processo que envolve o grupo financeiro. A decisão atendeu justamente a um pedido de Arruda Botelho, advogado que, no passado, destacou-se como um dos maiores críticos da Lava Jato e da suposta “parcialidade” de Sergio Moro.
O episódio gerou forte repercussão política, tanto pela coincidência temporal quanto pela proximidade entre o defensor do investigado e o ministro responsável por conduzir o processo no Supremo.
Da crítica à Lava Jato ao jatinho com o relator: a linha do tempo que expõe contradições
A trajetória de Augusto de Arruda Botelho e a sequência de eventos que reacenderam o debate sobre parcialidade no Judiciário
A relação entre o advogado Augusto de Arruda Botelho e o ministro Dias Toffoli ganhou novo capítulo após a revelação de que ambos viajaram juntos ao Peru, no mesmo jatinho, para assistir à final da Libertadores — exatamente no dia em que um processo envolvendo o Banco Master, defendido por Botelho, foi autuado no STF.
A linha do tempo levantada por jornalistas mostra:
– 10h30 – voo com Botelho e Toffoli decola de São Paulo;
– 13h34 – reclamação do Banco Master é protocolada no STF;
– 18h13 – Toffoli é sorteado relator do caso;
– após o jogo – ambos retornam juntos ao Brasil.
A sequência chama atenção pelo contraste com o histórico recente de Botelho. Nas redes sociais, o advogado foi, por anos, uma das vozes mais firmes na denúncia da “parcialidade” da Operação Lava Jato e do então juiz Sergio Moro. Em diversas ocasiões, afirmou que vários réus teriam sido prejudicados e que as violações da operação não atingiram apenas o presidente Lula, mas diversos investigados.

Agora, Botelho — que já advogou para empresas como a Odebrecht — torna-se personagem central de uma controvérsia que lembra justamente aquilo que ele criticava: relações paralelas, encontros privados e potenciais conflitos de interesse entre advogados e autoridades responsáveis por julgar seus clientes.
Para críticos, a situação expõe uma contradição entre o discurso de outrora e os fatos recentes. Para aliados, o episódio não invalida sua trajetória profissional.
De todo modo, o caso acendeu um debate que muitos consideravam encerrado: a necessidade de maior transparência nas relações entre membros do Judiciário e partes interessadas em processos sensíveis.