Donald Trump colocou mais um ingrediente na disputa presidencial brasileira de 2026. O presidente dos Estados Unidos convidou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para uma visita oficial à Casa Branca, em um movimento que agitou os bastidores políticos em Brasília e aumentou o peso internacional da pré-campanha do parlamentar
Caso a agenda avance, será a primeira reunião oficial entre Trump e o senador desde que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro lançou a pré-candidatura ao Palácio do Planalto.
O possível encontro também ocorre pouco mais de um mês após Donald Trump receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos Estados Unidos. Por isso, a movimentação passou a ser interpretada por integrantes da oposição como um gesto político relevante em meio à polarização entre bolsonarismo e lulismo.
Flávio intensifica agenda internacional
Nos bastidores do PL, o convite ganhou peso estratégico porque reforça a tentativa de Flávio Bolsonaro de ampliar a própria imagem no cenário internacional. Desde dezembro, quando anunciou a intenção de disputar a Presidência, o senador aumentou significativamente as viagens ao exterior.
Além das visitas frequentes aos Estados Unidos, Flávio participou do CPAC em março, um dos maiores encontros conservadores do mundo. Durante o evento, criticou o governo Lula e tentou aproximar o Brasil do discurso econômico defendido por republicanos norte-americanos.
Na ocasião, afirmou que o Brasil pode reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação à China no mercado de minerais críticos. Também classificou Lula como antiamericano, discurso que repercutiu entre lideranças conservadoras alinhadas a Trump.
Enquanto isso, o senador aproveitou as passagens pelos Estados Unidos para encontrar o irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive no país desde o ano passado e mantém forte aproximação com setores do trumpismo.
Além da agenda norte-americana, Flávio também passou recentemente por Israel, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Catar. O movimento mostra uma tentativa de construir interlocução internacional antes mesmo do início oficial da campanha.
Flávio responde em inglês e provoca Lula
A repercussão sobre o possível encontro com Trump cresceu ainda mais após Flávio Bolsonaro falar com jornalistas no Congresso no último dia 21 de maio. Questionado se ele ou Eduardo Bolsonaro haviam solicitado a reunião, o senador respondeu em inglês.
“No, I didn’t ask anything. Nobody asked”, afirmou, na frase traduzida como “Não, não pedi nada. Ninguém pediu”.
Em seguida, ao continuar sendo pressionado sobre o assunto, Flávio manteve o inglês e ironizou o presidente Lula.
“I’m speaking like this because Lula cannot understand what I’m talking about”, ou seja “Estou falando assim, porque Lula não consegue entender o que estou dizendo”.
O episódio logo viralizou nas redes sociais e movimentou apoiadores e críticos do senador. Enquanto aliados interpretaram a fala como uma provocação política calculada, adversários classificaram o gesto como tentativa de gerar repercussão midiática.
Casa Branca ainda não confirmou encontro
Apesar da movimentação nos bastidores, a Casa Branca ainda não oficializou publicamente a reunião entre Trump e Flávio Bolsonaro. O próprio senador evitou antecipar detalhes sobre a agenda.
“Tem que perguntar para a Casa Branca”, respondeu ao ser questionado sobre a possibilidade do encontro.
Ao falar sobre os próximos passos da campanha presidencial, Flávio preferiu adotar cautela.
“Um dia de cada vez”, afirmou.
A declaração aconteceu poucos dias após a divulgação de conversas envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O episódio aumentou a pressão política sobre o entorno do parlamentar e ampliou especulações dentro do mercado e da classe política.