Governo Trump retira Moraes e esposa da lista de sanções da Lei Magnitsky
O governo Donald Trump recuou e retirou, nesta sexta-feira (12), o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, sua esposa, Viviane Barsi, e a empresa familiar Lex, do rol de sanções impostas pela Lei Magnitsky. A decisão ocorre menos de seis meses após a inclusão do magistrado brasileiro e sua família na lista de punições financeiras aplicada pelos Estados Unidos a agentes acusados de violações de direitos humanos ou corrupção.
O anúncio foi confirmado pelo Departamento do Tesouro, responsável pelas sanções econômicas. Ainda não há manifestação oficial do Departamento de Estado, órgão encarregado da política de vistos, mas a retirada do nome de Moraes da área financeira já representa uma mudança significativa na postura norte-americana.
Segundo analistas ouvidos pela imprensa norte-americana, o recuo expôs uma disputa interna entre duas alas do governo Trump. De um lado estaria a ala ideológica, liderada por figuras como Marco Rubio e Christopher Landau, que defendiam sanções duras ao Brasil e manter relações estreitas com aliados como Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo. Esse grupo sempre vocalizou críticas à atuação de Moraes no STF, especialmente em casos envolvendo Jair Bolsonaro.
No entanto, a ala técnica do Tesouro e de setores econômicos vinha alertando que algumas dessas punições poderiam prejudicar diretamente a economia norte-americana, além de aumentar tensões diplomáticas em um momento de inflação ainda pressionada nos EUA — atualmente em torno de 3%, acima do padrão histórico do país.
Além do componente econômico, pesou também o cenário político brasileiro. A condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão, somada ao decreto de prisão subsequente, passou a ser observada com maior cautela por Washington. Segundo análises internas, Trump avaliava que Bolsonaro deixou de representar o “lado vencedor”, enquanto o presidente Lula ganhava tração e fortalecimento internacional com o embate contra os EUA.
Nas redes sociais, aliados de Bolsonaro — como Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo — divulgaram notas públicas criticando o recuo do governo norte-americano. A reversão das sanções reacende a discussão sobre a utilização política da Lei Magnitsky e marca um capítulo de tensão e reposicionamento na relação entre Washington e Brasília.