Debate acontece em 29 de setembro, cinco dias antes do primeiro turno, e terá quatro blocos; critério adotado pela emissora considera representação partidária no Congresso.
Depois de o Debate Midiamax reunir os oito candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul no mesmo palco, o último grande confronto televisivo da campanha estadual terá um desenho bem diferente.
A TV Morena convidou apenas quatro dos oito postulantes para o debate marcado para terça-feira (29), a cinco dias do primeiro turno.
Estão convidados Delcídio Amaral (PRD), Eduardo Riedel (PP), Fábio Trad (PT) e Lucien Rezende (PSOL).
João Henrique Catan (Novo), Renato Gomes (DC), Jeferson Bezerra (Agir) e Daniel Lemes (PCO) ficaram fora da relação anunciada.
Na prática, metade dos candidatos ao Governo não estará no palco do último debate da emissora antes das urnas.
Critério partidário
Segundo a TV Morena, foram convidados candidatos vinculados a partidos ou federações que atendem aos critérios de representação no Congresso Nacional considerados pela emissora à luz das regras eleitorais.
A legislação não obriga os veículos de comunicação a convidarem indistintamente todos os candidatos para um debate.
Dentro dos limites estabelecidos pela legislação e pelas resoluções eleitorais, as emissoras definem previamente os critérios de participação.
Em alguns debates, organizadores também podem estabelecer condições adicionais para convites voluntários, como desempenho mínimo em pesquisas, desde que respeitem as normas aplicáveis e os critérios previamente definidos.
No caso da TV Morena, a emissora informou ter adotado o requisito relacionado à representação parlamentar.
Catan já questionou exclusão em outro caso
A ausência de João Henrique Catan ganha um ingrediente jurídico adicional.
Na semana passada, o candidato do Novo conseguiu decisão judicial garantindo sua participação em entrevistas promovidas por outro grupo de comunicação.
Na ação, Catan alegou que o Novo possuía cinco deputados federais em exercício, mesmo número atribuído ao PRD, partido de Delcídio Amaral.
O argumento era que permitir a presença do candidato do PRD e excluir o representante do Novo configuraria tratamento desigual sem justificativa razoável.
Na decisão transcrita no processo, o desembargador Luiz Tadeu Barbosa da Silva reconheceu a autonomia editorial da imprensa, mas ponderou que ela pode ser submetida à análise judicial quando houver quebra de isonomia capaz de afetar materialmente a disputa eleitoral.
O magistrado também mencionou documentação extraída do Portal da Câmara dos Deputados que, segundo a decisão, apontava cinco parlamentares federais do Novo em exercício e enquadrava a legenda no parâmetro jurídico analisado naquele caso.
Aquela decisão dizia respeito especificamente às entrevistas questionadas na ação e não significa, por si só, determinação automática sobre o debate da TV Morena.
Diferença para o Midiamax
O contraste com o debate realizado pelo Midiamax é evidente.
Na segunda-feira (21), Eduardo Riedel, Fábio Trad, João Henrique Catan, Delcídio Amaral, Lucien Rezende, Renato Gomes, Jeferson Bezerra e Daniel Lemes estiveram juntos.
Foi a primeira oportunidade desta campanha em que Riedel dividiu o mesmo debate com todos os sete concorrentes.
O formato, apesar de naturalmente limitar o tempo disponível para aprofundar cada assunto, garantiu espaço aos oito candidatos.
Na TV Morena serão quatro.
Isso reduz o número de vozes no palco e, ao mesmo tempo, amplia o tempo e a possibilidade de confronto entre os participantes convidados.
Como será o debate
A TV Morena dividiu o programa em quatro blocos.
O primeiro terá perguntas de tema livre.
No segundo, os candidatos responderão perguntas sobre temas determinados.
O terceiro volta ao formato de tema livre.
O quarto terá perguntas de tema definido e, posteriormente, as considerações finais.
A ordem foi definida previamente por sorteio realizado durante reunião com representantes das campanhas.
Cada candidato poderá fazer uma pergunta e responder apenas uma vez dentro da dinâmica definida para garantir que todos tenham oportunidade de perguntar e de ser questionados.
Um debate diferente para Riedel
A redução para quatro participantes também altera a dinâmica política em relação ao Midiamax.
No encontro anterior, Riedel ficou diante de sete adversários e tornou-se a principal referência das críticas durante boa parte da noite.
Na TV Morena, serão apenas três adversários no palco com o governador: Delcídio Amaral, Fábio Trad e Lucien Rezende.
João Henrique Catan, que fez críticas duras ao governo e protagonizou alguns dos confrontos mais intensos do Debate Midiamax, não está na lista apresentada pela emissora.
Também ficam de fora Renato Gomes, que utilizou boa parte do debate anterior para criticar a estrutura administrativa e os impostos; Jeferson Bezerra, que concentrou questionamentos em servidores e Segurança Pública; e Daniel Lemes, que levou repetidamente a situação dos povos indígenas ao centro da discussão.
Com menos candidatos, o encontro da TV Morena poderá permitir mais tempo para que os quatro convidados aprofundem os temas.
Mas o eleitor também verá um universo menor de candidaturas representadas naquele palco.
Último confronto antes das urnas
O debate acontece em 29 de setembro.
Cinco dias depois, em 4 de outubro, Mato Grosso do Sul vai às urnas para o primeiro turno.
Isso faz do encontro uma das últimas grandes oportunidades televisivas para confronto direto entre as candidaturas convidadas.
Depois do Debate Midiamax com oito participantes, a TV Morena encerra a temporada dos grandes confrontos estaduais com apenas quatro.
A diferença entre os dois modelos também coloca em discussão uma questão recorrente nas eleições: como equilibrar amplitude de participação, regras eleitorais, autonomia editorial e tempo suficiente para que os candidatos efetivamente debatam propostas.
Na próxima terça-feira, essa escolha estará diante do eleitor sul-mato-grossense.