Segundo o Ministério Público, empresário atuava ao lado de Rossana Paroschi Jafar e Francisco Anízio dos Santos no núcleo responsável pelas decisões administrativas e financeiras da Editora Avante.
Enquanto parte dos investigados já deixou a prisão mediante medidas cautelares e outros continuam presos preventivamente, um nome permanece sem ser localizado pelas autoridades.
O empresário Heyder Bartz é, até o momento, o único investigado considerado foragido na Operação Gutenberg, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
Mais do que isso, segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Heyder ocupa uma posição considerada estratégica dentro da estrutura investigada.
Para o Gaeco, ele não integrava apenas o grupo investigado: fazia parte do núcleo de comando da suposta organização criminosa.
Um dos chefes, segundo a denúncia
Na denúncia encaminhada à Justiça, o Ministério Público afirma que Heyder Bartz atuava ao lado da empresária Rossana Paroschi Jafar e do empresário Francisco Anízio dos Santos, formando o núcleo responsável pelas decisões administrativas e financeiras da Editora Avante, empresa apontada como peça central do suposto esquema investigado.
Em outro trecho, o Gaeco afirma que a atuação de Heyder e Francisco Anízio foi “decisiva para todo o esquema criminoso”, motivo pelo qual ambos foram apontados como líderes da organização investigada ao lado de Rossana. Essa conclusão integra a linha investigativa do Ministério Público e ainda será submetida à apreciação do Poder Judiciário.
O papel atribuído a Heyder
Segundo a investigação, Heyder Bartz era proprietário da empresa Superconteúdo Marketing Digital, apontada pelo Ministério Público como um dos instrumentos utilizados na movimentação financeira do grupo.
O Gaeco sustenta que ele exercia funções ligadas à gestão estratégica, incluindo a definição de pagamentos e a distribuição dos valores obtidos pela suposta organização criminosa.
Além disso, a denúncia afirma que parte dos recursos recebidos pela Editora Avante era posteriormente distribuída entre integrantes do grupo, incluindo Rossana Paroschi Jafar, Rhayane Souza Fanaia e Heyder Bartz, por meio da empresa Superconteúdo.
Mensagens reforçaram a investigação
A denúncia também informa que a participação atribuída a Heyder Bartz foi reforçada por mensagens obtidas após a quebra do sigilo telemático dos investigados.
Segundo o Ministério Público, esses diálogos contribuíram para identificar sua atuação dentro da estrutura investigada e motivaram o aprofundamento das diligências, incluindo pedidos de quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático.
O único investigado que ainda não foi localizado
Desde a deflagração da Operação Gutenberg, diversos investigados tiveram suas situações processuais modificadas.
Olívia Paroschi Jafar, Jéssyca Duarte Burgatt, Joatan Gomes Peixoto e Geancarlo Leal de Freitas obtiveram liberdade mediante medidas cautelares.
Rossana Paroschi Jafar, Felipe Paroschi Jafar, Giovanni Paroschi Jafar e outros investigados permanecem respondendo às medidas determinadas pela Justiça.
Entre todos os alvos dos mandados de prisão, entretanto, Heyder Bartz continua sendo o único investigado que não foi localizado pelas autoridades, permanecendo na condição de foragido.
O que é a Operação Gutenberg?
Deflagrada em 7 de julho de 2026, a Operação Gutenberg investiga um suposto esquema de corrupção, fraude em licitações, organização criminosa e lavagem de dinheiro que, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, movimentou aproximadamente R$ 27 milhões entre 2022 e 2024.
De acordo com o Gaeco, o grupo utilizava a estrutura da regulação estadual da saúde como instrumento para pressionar gestores municipais. A investigação sustenta que a liberação de exames, consultas, cirurgias e leitos hospitalares era usada como “moeda de troca” para estimular a contratação da Editora Avante por meio de processos de inexigibilidade de licitação.
O Ministério Público também afirma que o grupo fornecia orientação técnica para a elaboração dos processos administrativos, incluindo estudos técnicos preliminares, pareceres jurídicos e outros documentos destinados às contratações públicas.
As acusações apresentadas pelo Gaeco refletem a linha investigativa do Ministério Público e serão analisadas pelo Poder Judiciário, assegurados aos investigados o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência.