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Único voto contrário, João Henrique critica falta de sabatina e pressão política na escolha de Sérgio de Paula

A indicação do ex-chefe da Casa Civil de Reinaldo Azambuja, Sérgio de Paula, para o Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) foi aprovada pela Assembleia Legislativa, mas não por unanimidade. O deputado estadual João Henrique Catan (PL) foi o único parlamentar a votar contra a escolha, protestando contra o que chamou de “pressão direta do executivo” e a “ausência completa de debate” sobre o nome indicado.

Durante a sessão, Catan subiu à tribuna para denunciar a condução acelerada do processo e a falta de rigor na análise da indicação. “A votação ocorreu por pressão exclusiva do poder executivo, e não porque esta Casa, de forma livre, desejava escolher este ou aquele nome”, criticou o parlamentar. Para ele, a Assembleia abriu mão de exercer plenamente sua prerrogativa constitucional.

O deputado afirmou que o rito foi atropelado e que não houve sequer uma sabatina formal para avaliar currículo, documentos ou critérios de notório saber exigidos para ocupação do cargo vitalício. “Faltou debate aberto, faltou análise aprofundada e faltou responsabilidade. A Casa votou a toque de caixa”, reforçou.

Catan também lembrou que o TCE-MS viveu recentemente episódios de afastamentos e investigações envolvendo conselheiros, o que, segundo ele, exigiria ainda mais cuidado e transparência. “É visível a influência governamental sobre o Tribunal, enquanto a sociedade pede mais rigor na escolha dos conselheiros — mas isso foi simplesmente ignorado”, declarou.

Perfil de Sérgio de Paula e bastidores políticos

A aprovação do nome de Sérgio de Paula é vista dentro e fora da Assembleia como uma vitória política do ex-governador Reinaldo Azambuja, de quem Sérgio é considerado um dos aliados mais próximos e fiéis. Durante os oito anos de gestão, Sérgio ocupou a chefia da Casa Civil, tendo papel central na articulação política e na coordenação das campanhas vitoriosas de Azambuja ao governo estadual.

Com forte influência nos bastidores, Sérgio era há anos apontado por aliados como o “homem de confiança” do ex-governador. Sua chegada ao TCE consolida essa influência e reforça o peso político do grupo de Azambuja no órgão responsável por fiscalizar o uso de recursos públicos no Estado.