Presidente Alir Terra e diretor financeiro Rinaldo Romano estão entre os presos; Monique Gregório, do setor de prontuários, também foi presa e empresário de tecnologia foi conduzido à delegacia.
A diretora-presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, e o diretor financeiro da instituição Rinaldo Romano foram presos na manhã desta sexta-feira (11) durante a Operação Antidotum, deflagrada pelo Gecoc e Gaeco para investigar possíveis fraudes e desvios milionários envolvendo contratos do hospital e da Santa Casa Saúde.
Também está entre os presos Monique Gregório, que atua no setor de prontuários da Santa Casa.
O empresário Maurício Benites, ligado ao setor de tecnologia, também foi conduzido à delegacia. Ele foi proprietário da Exbe Tecnologia e Serviços, CNPJ 47.700.845/0001-53, de Campo Grande, e da Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços Ltda., CNPJ 23.147.735/0001-48, sediada em Goiânia.
A confirmação das prisões de Alir e Rinaldo também foi feita por um advogado que representa o escritório responsável pela defesa dos dois. Ele estava na delegacia e informou que a defesa deverá se manifestar posteriormente.
A operação prevê seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão, cumpridos em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
As identidades de todos os seis alvos ainda não foram divulgadas.
Alir e Rinaldo no centro da operação
A prisão de Alir Terra, atual presidente da Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, representa o principal fato novo da operação desta sexta-feira.
Horas antes da confirmação da prisão, agentes já haviam realizado diligências dentro da Santa Casa e recolhido documentos de setores estratégicos da instituição, incluindo presidência, financeiro e faturamento.
Rinaldo Romano, responsável pela área financeira e que também foi preso, já havia sido personagem de reportagem do Portal O Contribuinte em meio aos questionamentos sobre a administração da instituição.
Agora, presidente e diretor financeiro aparecem entre os presos preventivamente na investigação.
A prisão preventiva, é importante destacar, não representa condenação. As responsabilidades individuais ainda serão analisadas no decorrer da investigação e do processo.
Contrato de R$ 5,4 milhões está sob investigação
Uma das principais frentes da Antidotum envolve justamente a área de prontuários.
O contrato investigado previa a prestação de serviços de digitalização de prontuários da Santa Casa.
O acordo tinha valor de R$ 1,8 milhão por ano e duração prevista de três anos, chegando a R$ 5,4 milhões.
Segundo a investigação, teriam ocorrido pagamentos de valores elevados sem a correspondente prestação dos serviços.
O suposto desvio identificado somente nessa contratação alcança R$ 1,4 milhão.
É nesse contexto que também aparece Monique Gregório, presa nesta sexta-feira e que atua justamente no setor de prontuários do hospital. Até o momento, entretanto, não foram divulgados detalhes suficientes para estabelecer publicamente qual conduta específica é atribuída a ela.
Seu advogado, Leandro Gregório, informou que aguardará acesso aos autos para posteriormente se manifestar.
Empresário de tecnologia é conduzido
Outro nome que surge na operação é o empresário Maurício Benites.
Atuante no setor de tecnologia, ele foi proprietário de pelo menos duas empresas identificadas na apuração: a Exbe Tecnologia e Serviços, registrada em Campo Grande, e a Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços Ltda., com sede em Goiânia.
A presença de Goiânia entre as cidades onde são cumpridos os mandados chama atenção justamente porque uma das empresas anteriormente pertencentes ao empresário está sediada na capital goiana.
Maurício foi conduzido à delegacia.
O advogado Fábio Leandro, responsável por sua defesa, afirmou que aguardará acesso aos autos antes de se pronunciar.
Até que sejam conhecidos os documentos da investigação, não é possível atribuir ao empresário uma conduta específica além daquela oficialmente revelada pelas autoridades.
Santa Casa Saúde: R$ 9,6 milhões pagos em 2025
A investigação não ficou restrita ao contrato de digitalização.
Durante a apuração, o Gecoc identificou supostas irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde, controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande.
Segundo os investigadores, foram encontrados contratos com diversas empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico.
Essas empresas teriam um proprietário com ligações com a diretoria da Santa Casa e estavam registradas em um mesmo endereço.
Quando o local foi verificado, porém, segundo o Gecoc, o imóvel estava desocupado.
Somente em 2025, a Santa Casa Saúde teria destinado aproximadamente R$ 9,6 milhões a essas empresas.
O prejuízo identificado até agora seria de pelo menos R$ 3,5 milhões.
Somados aos R$ 1,4 milhão apontados na investigação do contrato de digitalização, os prejuízos conhecidos até este momento alcançam R$ 4,9 milhões.
Informações teriam sido escondidas dos órgãos de controle
Outro ponto considerado grave pelo Gecoc envolve a fiscalização dos contratos.
Segundo a investigação, contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle.
Entre eles estão o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.
A apreensão de documentos nos setores da presidência, financeiro e faturamento deverá permitir aos investigadores reconstruir a cadeia administrativa das contratações e pagamentos e identificar a responsabilidade individual de cada envolvido.
O Contribuinte já vinha investigando a administração
A operação ocorre depois de meses de reportagens do Portal O Contribuinte envolvendo a gestão da Santa Casa.
O portal revelou anteriormente informações sobre o patrimônio do diretor financeiro Rinaldo Romano, agora preso, além de levantar registros públicos envolvendo empresas do setor da saúde, endereços coincidentes e pessoas relacionadas à estrutura jurídica e administrativa da instituição.
O Contribuinte também acompanhou questionamentos apresentados pelo advogado Oswaldo Meza Batista e pelo Instituto Artigo Quinto, que recorreram à Justiça em busca de documentos e informações relacionados às contas, contratos e administração da Santa Casa.
Essas reportagens anteriores não significam que todos os fatos nelas abordados façam parte da Operação Antidotum. A partir das prisões e buscas desta sexta-feira, o portal trabalha para identificar documentalmente quais informações levantadas anteriormente possuem conexão com os contratos investigados pelo Gecoc.
Defesas aguardam acesso aos autos
A defesa de Alir Terra e Rinaldo Romano confirmou as prisões e informou que deverá se manifestar posteriormente.
O advogado Leandro Gregório, que representa Monique Gregório, também afirmou que aguardará acesso aos autos.
Já Fábio Leandro, advogado de Maurício Benites, declarou igualmente que precisa conhecer o conteúdo da investigação antes de apresentar manifestação.
A Operação Antidotum continua em andamento.
O Portal O Contribuinte apura a identidade dos demais alvos, as empresas envolvidas, os contratos investigados e os documentos recolhidos nesta sexta-feira e atualizará as informações assim que houver novas confirmações.