Petição apresentada como resposta ao presidente também exige informações sobre empresas de Lulinha, Daniel Vorcaro, Banco Master e gastos do cartão corporativo do Planalto.
A quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), a campanha do candidato Flávio Bolsonaro entrou com uma manifestação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e acrescentou novos elementos à disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (21).
Em resposta à proposta de abertura de sigilos apresentada por Lula, o documento estabelece uma série de exigências envolvendo integrantes da família presidencial, antigos auxiliares do governo e informações relacionadas ao Banco Master.
Entre os principais nomes mencionados está Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, que deixou o governo Lula em julho para integrar a coordenação da campanha à reeleição do petista.
A cobrança ganha relevância porque Marcola já havia sido citado em reportagens sobre movimentações financeiras envolvendo Roberta Luchsinger, lobista investigada no contexto do escândalo de descontos associativos indevidos em benefícios do INSS.
Mesmo após a repercussão das informações, Marcola permaneceu ligado à estrutura política da campanha de Lula.
Além dos sigilos relacionados ao ex-chefe de gabinete, o documento inclui pedidos de informações sobre empresas dos filhos do presidente, registros de encontros com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e despesas realizadas pela Presidência da República
Veja os documentos na íntegra:
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Marcola deixou o governo para integrar a campanha de Lula
Marco Aurélio Santana Ribeiro ocupou a chefia do Gabinete Pessoal da Presidência da República durante o terceiro mandato de Lula, iniciado em janeiro de 2023.
Na função, tinha acesso à rotina presidencial e participava da estrutura responsável pela organização e pelo acompanhamento de assuntos relacionados diretamente ao chefe do Executivo.
Marcola deixou o cargo em 21 de julho de 2026, em movimentação formalizada no Diário Oficial da União no dia seguinte, para integrar a coordenação da campanha presidencial.
Sua proximidade com Lula foi reconhecida publicamente pelo próprio presidente.
Durante entrevista ao Jornal Nacional, em agosto, Lula falou sobre a relação de confiança que mantinha com o antigo auxiliar e comentou as informações que haviam surgido sobre os negócios envolvendo Roberta Luchsinger.
Na ocasião, o presidente afirmou que Marcola havia cometido um erro e deveria responder por ele. Também relatou ter questionado o antigo auxiliar sobre o motivo de não ter conversado diretamente com ele a respeito do empréstimo.
Apesar da repercussão do episódio, Marcola continuou associado à organização política da campanha presidencial.
É justamente esse histórico que dá dimensão ao pedido incluído no documento atribuído a Flávio Bolsonaro.
Roberta Luchsinger, pagamentos de R$ 217 mil e empréstimo de R$ 249 mil
O nome de Marcola ganhou destaque nacional em agosto, quando reportagens baseadas em informações de investigações da Polícia Federal apontaram movimentações financeiras envolvendo a lobista Roberta Luchsinger.
Segundo o material jornalístico divulgado na ocasião, a lobista teria realizado aproximadamente R$ 217 mil em transferências, pagamentos de contas e presentes relacionados ao então auxiliar presidencial durante 2024.
Entre os itens mencionados estavam joias avaliadas em cerca de R$ 9,2 mil, incluindo brincos e um colar de diamantes.
Marcola apresentou uma explicação para a relação financeira. Segundo sua versão, os valores decorriam de um empréstimo pessoal de aproximadamente R$ 249 mil, que teria sido quitado com correção.
Os valores de R$ 217 mil mencionados nas reportagens e de R$ 249 mil apresentados na explicação do ex-assessor não devem ser tratados como operações necessariamente distintas sem a conferência integral dos registros financeiros.
As investigações também abordaram as relações de Roberta com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e outros personagens ligados ao ambiente político e empresarial do presidente.
O caso provocou repercussão por envolver uma pessoa que ocupava um dos cargos de confiança da Presidência da República.
Flávio exige dados telefônicos e telemáticos de Marcola
No item 19 do documento, a manifestação atribuída a Flávio Bolsonaro cobra autorizações individuais para levantamento de sigilos telefônicos e telemáticos relativos aos últimos oito anos de Marco Aurélio Santana Ribeiro.
O pedido também alcança assessores, seguranças e auxiliares que tenham utilizado ou mantido linhas telefônicas destinadas ao atendimento do presidente.
O texto cita expressamente a ligação de Marcola com Roberta Luchsinger e questiona a destinação dos bens e valores que teriam sido recebidos da lobista.
Também pede o levantamento de informações bancárias e fiscais do antigo auxiliar.
A manifestação questiona se os recursos teriam sido empregados no pagamento de despesas pessoais de Lula ou da primeira-dama Janja.
Empresas de Lulinha e Instituto Lula também entram na cobrança
Outro trecho da manifestação amplia os pedidos para empresas ligadas aos filhos do presidente.
O documento menciona Fábio Luís Lula da Silva e sociedades empresariais relacionadas ao seu histórico de negócios, incluindo Gamecorp, G4 Entretenimento e Tecnologia Digital e BR4 Participações.
Também solicita informações sobre empresas de outros filhos de Lula e sobre pessoas e sociedades que tenham recebido recursos do Instituto Lula.
Entre os nomes incluídos está Paulo Okamotto, que presidiu o instituto por anos.
A documentação cita investigações anteriores, inclusive episódios analisados no âmbito da Operação Lava Jato, e pede informações financeiras e fiscais em períodos que, para determinados envolvidos, remontam a 2003.
A inclusão dessas empresas e pessoas nos pedidos não representa uma conclusão de que tenham cometido irregularidades.
Banco Master: Flávio cobra lista de visitantes de Daniel Vorcaro
O documento também aborda o caso Banco Master, envolvendo o empresário Daniel Vorcaro.
Entre as exigências está a divulgação dos registros de entrada e saída de visitantes recebidos por Vorcaro durante sua custódia na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Também são cobrados dados de deslocamentos realizados por aeronaves associadas ao empresário e informações sobre encontros dele com integrantes do governo.
Um dos episódios mencionados é uma reunião de 4 de dezembro de 2024, envolvendo Lula e Daniel Vorcaro.
A manifestação exige a divulgação dos participantes, dos objetivos e dos registros da reunião, afirmando que a Presidência informou não terem sido produzidas atas.
Outros nomes aparecem nesse conjunto de solicitações, incluindo o ex-ministro Guido Mantega e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.
Cartão corporativo de Lula e despesas de Janja na lista
A manifestação ainda exige a divulgação integral dos gastos realizados com cartões corporativos da Presidência desde janeiro de 2023.
O documento cita dados atribuídos a uma auditoria do Tribunal de Contas da União, aprovada em julho de 2025, segundo os quais 99,55% das despesas analisadas foram classificadas como sigilosas ou reservadas.
Conforme os números reproduzidos no texto, os gastos ultrapassaram R$ 55 milhões entre janeiro de 2023 e abril de 2025.
Também são solicitadas informações sobre a agenda da primeira-dama Janja anterior a fevereiro de 2025, registros de visitas dos filhos do presidente, utilização de helicópteros e despesas do Palácio da Alvorada.
O documento relembra a promessa feita por Lula na campanha de 2022 de combater o chamado sigilo de 100 anos.
Disputa sobre transparência chega à reta final do segundo turno
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a nova manifestação coloca em discussão informações financeiras e administrativas relacionadas ao governo federal e a pessoas do círculo político e familiar de Lula.
Um dos elementos centrais é a presença de Marcola na lista de exigências.
Diferentemente de um personagem sem atuação política recente, o antigo chefe do Gabinete Pessoal deixou o cargo para participar diretamente da campanha presidencial, mesmo após a repercussão das reportagens sobre seus vínculos financeiros com Roberta Luchsinger.
Agora, a manifestação cobra a abertura de registros capazes de esclarecer a natureza das movimentações mencionadas no documento.
A apresentação das exigências, entretanto, não significa que as quebras de sigilo tenham sido autorizadas pelo TSE. O acesso a informações protegidas depende dos requisitos legais e de eventuais decisões das autoridades competentes.
O episódio ocorre na reta final de uma campanha marcada por questionamentos entre os candidatos e acrescenta ao debate eleitoral as cobranças por transparência envolvendo assessores, familiares, reuniões e despesas da Presidência da República.