Camilla Nascimento comandava o IMPCG quando R$ 1,2 milhão da Previdência municipal foram aplicados no banco; instituto afirma que valor foi recuperado com rendimentos.
A Operação Presciência, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (25), teve um novo desdobramento em Campo Grande: a residência da vice-prefeita Camilla Nascimento também foi alvo de mandado de busca e apreensão.
O Contribuinte já havia mostrado, nas primeiras horas da manhã, que agentes da PF estiveram na Secretaria Municipal de Assistência Social, comandada atualmente por Camilla, e também no IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande).
A informação de que a operação também chegou à casa da vice-prefeita amplia o alcance das diligências realizadas pela Polícia Federal.
Camilla Nascimento comandava o IMPCG no período em que o instituto realizou uma aplicação de R$ 1,2 milhão em títulos do Banco Master, operação que agora está sob investigação federal.
PF foi à residência da vice-prefeita
Além das buscas realizadas em órgãos públicos, policiais federais cumpriram ordem judicial na residência de Camilla.
A diligência acontece justamente porque a atual vice-prefeita ocupava a presidência do Instituto de Previdência na época em que os recursos previdenciários foram direcionados ao Banco Master.
A PF investiga como a operação foi aprovada, quais critérios foram adotados e se houve descumprimento de normas técnicas e administrativas durante o processo.
O cumprimento do mandado, por si só, não significa culpa ou condenação. A investigação ainda está em andamento.

Operação já havia chegado à SAS e ao IMPCG
Mais cedo, O Contribuinte revelou a movimentação da Polícia Federal dentro da Secretaria de Assistência Social.
Agentes chegaram ao local nas primeiras horas do dia e realizaram diligências em salas da pasta, inclusive na área ocupada pela titular da secretaria.
A PF também esteve no próprio IMPCG.
Agora, com a confirmação de que houve busca na residência de Camilla Nascimento, fica evidente que a operação não ficou restrita aos prédios públicos e avançou também sobre endereço ligado diretamente à ex-presidente do instituto.
Caso envolve aplicação de R$ 1,2 milhão
A Operação Presciência investiga a aplicação de R$ 1,2 milhão de recursos do IMPCG em Letras Financeiras do Banco Master.
Segundo a Polícia Federal, a investigação teve origem em relatório da Coordenação-Geral de Auditoria do Departamento dos Regimes Próprios de Previdência Social, ligado ao Ministério da Previdência.
O documento apontou que servidores municipais teriam ignorado normas técnicas e administrativas durante a aprovação do investimento.
A suspeita é de que o patrimônio destinado ao pagamento de aposentadorias e pensões tenha sido exposto a riscos financeiros.
Os investigados podem responder por crimes de gestão temerária, corrupção ativa e corrupção passiva.
IMPCG diz que dinheiro foi recuperado
Enquanto a PF investiga a origem e as condições em que a aplicação foi realizada, a atual direção do IMPCG afirma que não houve prejuízo financeiro para o instituto.
O atual diretor-presidente, Marcos Tabosa, declarou que mais de R$ 1,4 milhão já estão depositados em conta judicial, incluindo os R$ 1,2 milhão investidos e aproximadamente R$ 227 mil em rendimentos.
Segundo ele, o resgate estava previsto originalmente apenas para 2029.
“O resgate seria feito em 2029 e vai resgatar antes do tempo, com juros e correção monetária. Campo Grande foi a primeira capital do país que não teve perda. Fomos os primeiros a recuperar o dinheiro”, declarou.
Tabosa também afirmou que o instituto apoia a investigação da Polícia Federal.
“Apoiamos toda operação da PF, porque o Banco Master é o maior escândalo da história do nosso país e os responsáveis devem ser punidos.”
Recuperação do dinheiro não encerra apuração
O fato de o instituto afirmar que conseguiu assegurar judicialmente os recursos não encerra a investigação.
A PF busca esclarecer o processo que levou à aplicação do dinheiro no Banco Master, independentemente da posterior recuperação dos valores.
A apuração deverá identificar quem participou da decisão, quais análises técnicas foram feitas, quais riscos foram apresentados e se todas as regras para aplicação de recursos previdenciários foram cumpridas.
Com a busca realizada também na residência da vice-prefeita, a operação entra agora em uma nova fase de análise dos materiais apreendidos.
A Prefeitura de Campo Grande ainda não havia divulgado, até a publicação desta atualização, uma manifestação específica sobre o mandado cumprido na casa de Camilla Nascimento.